México é país latino-americano mais perigoso para imprensa

Repórteres Sem Fronteiras denunciou omissão das autoridades; desde 2000, 61 jornalistas já foram mortos

Efe,

01 de fevereiro de 2010 | 19h28

Após saber do terceiro assassinato de um jornalista em menos de um mês, a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF) Afirmou nesta segunda-feira, 1º, que o México é o país mais perigoso da América Latina para a imprensa.

 

"As recentes ameaças contra jornalistas não provocaram a mobilização das autoridades, em algumas ocasiões envolvidas nesses crimes", denunciou a organização em comunicado.

 

Jorge Ochoa Martínez, diretor do jornal "El Sol de la Costa" e fundador da revista "El Oportuno", de 55 anos, foi assassinado a tiros no estado de Guerrero, em 29 de janeiro.

 

Com a morte de Jorge, chegou a 61 o número de jornalistas assassinados no México desde 2000.

 

Segundo uma lista elaborada anualmente pela RSF, o México é apenas o 137º país do mundo em liberdade de imprensa.

 

Em 8 de janeiro, pistoleiros supostamente a mando de traficantes sequestraram um jornalista que saía do trabalho, mataram-no a tiros e deixaram um recado ameaçador no cadáver. Valentín Valdés foi tirado do seu carro ao deixar a sede do diário Zócalo, na cidade industrial de Saltillo, Estado de Coahuila, perto da fronteira com os Estados Unidos.

A procuradoria estadual disse que Valdés, da editoria de assuntos locais, provavelmente foi vítima de quadrilhas de narcotraficantes.

Pouco antes do Natal, um jornalista foi morto na cidade turística de Tulum, e em 30 de dezembro outro jornalista foi sequestrado no Estado de Sinaloa, onde fica o cartel de traficantes mais poderoso do México.

Saltilllo e as vizinhas cidades de Monterrey, Reynosa e Matamoros são controladas pelo cartel do Golfo e por seu braço armado, os Zetas, que passam drogas para o Texas e usam as cidades industriais para lavar os lucros da droga.

Em todo o México, uma luta entre cartéis rivais pelo controle do multibilionário negócio das drogas no México e Estados Unidos já matou 17 mil pessoas desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva contra o narcotráfico, no final de 2006.

Investidores e autoridades dos Estados Unidos estão cada vez mais preocupados com a hipótese de que a violência esteja superando a capacidade dos 49 mil soldados mobilizados por Calderón para enfrentar o tráfico.

Os ataques contra a mídia vêm crescendo, numa tentativa dos traficantes em silenciar jornalistas que noticiam homicídios ligados ao crime organizado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.