México permite extradição à Argentina de acusado de crimes durante ditadura

A decisão foi tomada de acordo com o artigo 18 do tratado de extradição México-Espanha

EFE

23 de fevereiro de 2008 | 04h24

O Governo do México concedeu à Espanha permissão para reextraditar à Argentina o ex-militar Ricardo Miguel Cavallo, acusado de crimes durante a última ditadura militar do país sul-americano. "A Secretaria de Relações Exteriores outorgou seu consentimento para a reextradição do senhor Ricardo Miguel Cavallo à Argentina", revelaram fontes diplomáticas. "A decisão foi tomada em conformidade com o artigo 18 do tratado de extradição México-Espanha, atendendo a uma solicitação do Governo espanhol em razão do processo a que responde o senhor Cavallo", indicaram as mesmas fontes. "Cabe às autoridades espanholas determinar o curso do processo penal do senhor Cavallo em tribunais espanhóis, assim como o status de seu processo de extradição à Argentina", asseguraram. Cavallo foi detido no México em agosto de 2000, após ser reconhecido por sobreviventes dos centros de detenção argentinos, e desde então permanecia em prisão preventiva. Ele é acusado de ter operado no centro de detenção da Escola Mecânica da Armada (Esma) durante o regime militar argentino (1976-1983). Em 29 de junho de 2003, quando foi extraditado pelo México, Cavallo ingressou em uma prisão espanhola, processado pelo juiz Baltasar Garzón por suas atividades durante a ditadura. Cavallo é o segundo ex-militar argentino que poderia ser julgado na Espanha por delitos cometidos durante o regime militar da Argentina, já que em 2005 a Justiça do país condenou Adolfo Scilingo a 640 anos de prisão por delitos de lesa-humanidade, detenção ilegal e torturas. No caso de Cavallo, a Promotoria pede uma pena mínima de 13.332 anos de prisão, e outra máxima de 17.010, pelos crimes de lesa-humanidade e genocídio.

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