Micheletti conseguiu pressionar EUA a seu favor, diz jornal

'New York Times' diz que lobby do governo de facto pode influenciar até escolha do embaixador no Brasil

estadao.com.br,

08 de outubro de 2009 | 12h55

O governo de facto de Honduras lançou uma campanha para fazer lobby junto a senadores e ao Departamento de Estado dos EUA e aparentemente tem conseguido fazer com que os americanos apoiem Roberto Micheletti, informou nesta quinta-feira, 7, o jornal americano The New York Times.

 

Veja também:

linkDelegação de Zelaya se diz pessimista no diálogo com Micheletti

linkOEA deixa Honduras certa de que diálogo colocará fim à crise

linkBrasileiro na OEA diz que volta de Zelaya é 'inegociável'

linkHonduras: restituição de Zelaya é entrave

especialEspecial: O impasse em Honduras   

 

O artigo publicado na primeira página do diário afirma que o plano "teve o efeito de obrigar o governo americano a enviar sinais contraditórios" sobre sua posição em relação ao governo de facto em Honduras e deve até influenciar a escolha do embaixador americano no Brasil.

 

O lobby dos assessores de Micheletti tem como argumento principal o fato de que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, é partidário da política do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e de Cuba, o dois principais críticos dos EUA na América Latina. O governo de facto afirma que Zelaya coloca em risco a democracia no país ao tentar se reeleger pela segunda vez e pode instaurar a política de Chávez, o que os americanos consideram como uma ameaça à estabilidade da região.

 

Um dos principais responsáveis pelo plano americano de estabilização da América Latina nos anos 80 e 90, Otto Reich, disse ao Congresso dos EUA em julho que "a batalha política pelo controle de Honduras não se limita apenas àquela pequena nação". "O que acontece em Honduras pode ser um dia visto como uma influência da política de Hugo Chávez, que tenta enfraquecer a democracia no hemisfério, ou como o sinal verde para a disseminação do autoritarismo chavista", argumentou.

 

Reich admitiu ter usado seus contatos para entrar em acordo com a agenda do governo de facto, pois "acredita que o governo de Obama cometeu um erro" e posteriormente envio uma mensagem à comissão de assuntos exteriores do Senado dizendo que os políticos do país deveriam se unir, já que "um dos auto-proclamados socialistas do século XXI e aliado de Chávez foi deposto pelo seu próprio país". A administração do presidente Barack Obama se disse prontamente desfavorável ao golpe de Estado, ocorrido em 28 de junho e aplicou sanções a Honduras.

 

A campanha de Micheletti atingiu também um grupo de senadores republicanos pretende pressionar Obama para que retire as sanções impostas a Honduras. "Fizemos a escolha errada. [O governo de facto] é provavelmente o nosso melhor amigo no hemisfério, o governo mais pró-americano, mas estamos tentando estrangulá-lo", disse o líder do grupo, o senador Jim DeMint, da Carolina do Sul, em uma entrevista a um canal de televisão na última sexta-feira.

 

Além de Reich, outro alto funcionário dos EUA, Daniel Fisk, convocou reunião com senadores e o Departamento de Estado poucos dias após o golpe. Funcionários do Congresso disseram que Fisk elaborou uma lista de pontos a serem discutidos no Senado, como a nomeação de Thomas A. Shannon, secretário-assistente de Estado, para embaixador dos EUA no Brasil. Os americanos consideram o País o líder para as questões latino-americanas. Fisk, entretanto, negou o fato.

 

Segundo o New York Times, o governo de Micheletti gastou pelo menos US$ 400 mil na campanha para pressionar os EUA. A verba foi usada com agências de relações públicas e advogados.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.