Divulgação/AP
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Micheletti diz a presidente eleito que não sai antes da posse

Em reunião, líder de facto de Honduras trata com Porfírio 'Pepe' Lobo da transição de poder e da crise política

estadao.com.br,

15 de dezembro de 2009 | 10h53

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, descartou deixar o cargo antes da posse do líder eleito do país, Porfírio 'Pepe' Lobo. Ambos se reuniram no final da segunda-feira, 14, em Tegucigalpa, para tratar da transição.

Micheletti assumiu em junho após militares derrubarem o presidente Manuel Zelaya, acusado de organizar uma nova constituinte para tentar manter-se no poder.

Foi a primeira visita de Lobo à sede do Executivo hondurenho. A comunidade internacional defende a saída de Micheletti para legitimar o governo do presidente eleito. Segundo um porta-voz, o presidente de facto foi enfático com Lobo: Só sai em 27 de janeiro de 2010.

 

Ainda segundo um porta-voz, foram abordados "os três pontos que a comunidade internacional exige" que sejam cumpridos para normalizar suas relações com Honduras, praticamente suspensas desde a derrocada de Zelaya, no dia 28 de junho, mesmo dia em que o Parlamento nomeou Micheletti em seu lugar.

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Esses pontos são a integração de um governo de reconciliação, a criação de uma Comissão da Verdade e uma anistia política.

Nem Micheletti nem Lobo, assim como funcionários do governo de facto, fizeram declarações sobre a reunião, que durou cerca de duas horas.

A anistia política foi excluída do acordo que delegados de Micheletti e Zelaya assinaram no dia 30 de outubro, mas Lobo destacou que a comunidade internacional insiste que ela seja aprovada como parte da solução da crise.

 

Entrevista

 

Em entrevista à rádio HRN, Micheletti confirmou que vai ficar no cargo até Lobo assumir. "Não vou renunciar até que termine o período que me corresponde constitucionalmente", declarou Micheletti.

 

A comunidade internacional, encabeçada pelos EUA, exige que Micheletti deixe o governo antes que Lobo assuma o poder em 2010, para reconhecer seu governo e restabelecer a ajuda que foi suspensa após o golpe de Estado de 28 de junho que destituiu o presidente Manuel Zelaya.

 

"Fui eleito pelo Congresso e o único que me pode tirar da presidência é o mesmo Congresso Nacional", disse Micheletti, que assumiu o poder poucas horas após militares expulsarem Zelaya de Honduras. "Ainda que o mundo peça, ainda que alguns países nos estejam vendo com ódio, sem justificativa, não renunciarei", completou o líder de facto.

 

Micheletti, do mesmo partido de Zelaya, o Partido Liberal, classificou o pedido para sua renúncia de "intriga possivelmente difundida internamente", já que não consegue ver "interesse de qualquer outro país do mundo" no qual o presidente deva sair "um dia, dois dias, sete, onze dias antes".

Com informações da Efe

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