Micheletti diz que defenderá 'soberania nacional' de Honduras

Presidente interino faz alerta para que Venezuela, Equador e Nicarágua não intervenham militarmente na crise

17 de julho de 2009 | 10h23

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, advertiu para que Venezuela e Equador não mandem soldados para o país, pois apesar da carência em recursos econômicos e bélicos, defenderá a "soberania nacional" hondurenha. Ele ainda responsabilizou o líder deposto Manuel Zelaya e os presidentes Hugo Chávez, Rafael Correa (Equador) e Daniel Ortega (Nicarágua) pelas mortes que possam ocorrer no país. "Estamos conscientes de que podem enviar pessoas para provocar distúrbios. Responsabilizo estes senhores e Zelaya se há mortes em nosso país", afirmou.

 

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Enquanto simpatizantes do presidente deposto intensificaram as ações contra o governo de facto em Honduras - ao bloquear estradas de acesso a Tegucigalpa e outras cidades importantes do país -, em San José, na Costa Rica, o presidente costa-riquenho e mediador do conflito, Oscar Arias, declarou na quinta-feira, 16, que a saída para o impasse deve incluir necessariamente a volta de Zelaya à presidência e propôs a criação de um governo de reconciliação. A proposta foi feita após Micheletti dizer que estava disposto a deixar o cargo que assumiu após o golpe do dia 28, desde que o governante deposto não reassuma a presidência.

 

No entanto, Micheletti rejeitou estabelecer um governo de "reconciliação nacional" para resolver a crise política. "Não aceitamos que nenhum país nos faça imposições. Nós temos uma posição firme e não mudaremos de modo algum", disse o presidente de facto. Durante entrevista para uma emissora colombiana, o presidente interino ainda afirmou que o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, é um dos responsáveis pela crise em Honduras, já que não foi ao país como "mediador", mas para impor ordens.

 

Ao falar sobre suas advertências aos presidentes venezuelano e equatoriano, Micheletti alertou para que eles não enviem ao país "cidadãos convertidos em soldados". Ele reconheceu que Honduras não tem um Exército com armamento moderno e que o país passa por dificuldades econômicas, mas reiterou que vai defender a soberania do país "como sete milhões e meio de soldados". Questionado sobre a presença de estrangeiros, Micheletti disse que 50 cidadãos da Nicarágua que entraram em Honduras ilegalmente, com a autorização do presidente Daniel Ortega, foram extraditadas.

 

Segundo o presidente interino, o toque de recolher será mantido no país "em conformidade com os fatos" e justificou a medida ao dizer que procura "proteger" a população. A medida será suspensa "caso melhorem" as condições no país.

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