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Micheletti e Zelaya aceitam se reunir, dizem candidatos

Concorrentes da eleição de novembro se encontram com o governo de facto e com presidente deposto

Reuters e Efe,

25 de setembro de 2009 | 07h26

Os candidatos à Presidência de Honduras nas eleições de novembro asseguraram na quinta-feira, 24, que tanto o presidente deposto, Manuel Zelaya, como o governante de fato, Roberto Micheletti, estão dispostos a dialogar para encontrar uma solução à crise. Apesar do encontro, não há sinais de que Zelaya será restituído. Além disso, o governo interino de Honduras anunciou que aceita receber uma missão integrada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e pelo vice-presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, para negociar uma solução para a crise. De acordo com o governo de facto, o encontro com os dois líderes centro-americanos foi sugerido pelo ex-presidente americano Jimmy Carter e deve acontecer “nos próximos dias”.

 

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Essa foi a primeira indicação de diálogo para encontrar uma saída para a crise que afundou o país em vários protestos, mas o governo de facto se recusa a devolver o poder a Zelaya, que por sua vez não aceita um governo interino até que se transfira o poder ao vencedor das eleições de novembro. A Embaixada do Brasil continua cerca por policiais e militares hondurenhos. Esta noite a segurança foi reforçada por causa da presença dos quatro candidatos. O toque de recolher que estava suspenso durante todo o dia foi retomado às 19h (22h no horário de Brasília), mas será suspenso no início da manhã.

 

"Os dois estão dispostos a voltar à mesa de diálogo no marco do acordo de San José", disse Elvin Santos, candidato do governante Partido Liberal, ao que pertencem tanto Micheletti como Zelaya, depois de se reunir com ambos. Em igual sentido se manifestou Porfirio Lobo, candidato do opositor Partido Nacional, que, após a reunião com o deposto presidente, afirmou que "tanto Micheletti como Zelaya estavam muito flexíveis". "Eles disseram que estão dispostos a fazê-lo, há muita vontade em ambos, vejo muita vontade de reunir-se", disse Lobo, que tomou parte nos encontros junto a, além de Santos, Felícito Ávila, da Democracia Cristã, e Bernard Martínez, do Inovação e Unidade.

 

Lobo disse que o Acordo de San José, que impulsionou nos últimos meses o presidente de Custar Rica, Oscar Arias, é o "comum marco de trabalho" para esse diálogo. Perguntado pelo ponto central do Acordo de San José, o retorno de Zelaya ao poder, o político conservador afirmou que "o importante é que haja vontade de sentar-se. Uma vez que se sentem, com certeza que chegam a acordos", afirmou.

 

Em declarações divulgadas por meios de comunicação locais, Zelaya indicou que vai "continuar este diálogo" que começou com diferentes setores, e reconheceu "o esforço" que fizeram os candidatos ao reunir-se com ele. Por sua parte, o ministro da Presidência, Rafael Pineda, indicou a jornalistas que, em caso que se acordasse, a reunião entre Zelaya e Micheletti poderia produzir-se em "um lugar neutro".

 

Zelaya disse ainda aos candidatos presidenciais que a crise política em seu país "deve se resolver no menor tempo possível". "O problema deve se resolver no menor tempo possível e com o apoio dos senhores acredito que será mais fácil", expressou Zelaya ao finalizar a reunião. "Honduras está vivendo uma profunda crise, o futuro terá que ser próspero para Honduras só na medida que o povo hondurenho se acompanhe de reformas positivas para o país, o Plano Arias é um instrumento para chegar a um acordo político", acrescentou.

 

Zelaya indicou ainda que receberá nesta sexta-feira o candidato do partido Unificação Democrática, César Ham, da esquerda, e a Carlos Reyes, candidato independente, ambos amigos do deposto líder hondurenho, derrubado em 28 de junho passado, após tentar promover uma consulta popular de reforma da Constituição declarada ilegal.

 

O presidente indicou que o Acordo de San José, que promove o presidente da Costa Rica, Óscar Arias, "tem como primeiro conceito a restituição da democracia perdida com o golpe de Estado". "Se deve assinar o Plano Arias no menor tempo possível para que o país volte à calma, seguimos na luta pela condenação ao golpe de Estado", enfatizou.

 

Reforma da Constituição

 

Zelaya também destacou "a necessidade do plebiscito para que se reforme a Constituição para que não tenham as limitações que têm", e que em isso há acordo com os candidatos presidenciais. Porfirio Lobo expressou que os candidatos estão de acordo com que é preciso fazer reformas na Constituição e que estão "muito abertos a que se dialogue e se faça o mais conveniente para Honduras". Acrescentou que o diálogo deve ser feito no marco do Acordo de San José e que espera que se chegue a pactos para que "Honduras leve sua vida normal".

 

Elvin Santos, que foi vice-presidente de Zelaya, disse que foi possível "motivar às partes em conflito para que de maneira firme alcancem retornar às mesas de diálogo". "Evidentemente que cada uma das partes tem suas próprias impressões e prioridades, mas evidentemente que essas partes terão que compreender que não podem os dois (Zelaya e Micheletti) absolutamente obter tudo o que perseguem ou o que querem, isto é a arte de chegar a uma mediação", apontou.

 

Felícito Ávila indicou que as reformas constitucionais "ajudariam a melhorar a qualidade de vida do povo hondurenho e ao desenvolvimento, a trazer a credibilidade da sociedade nas instituições públicas e privadas que permitam o desenvolvimento da sociedade".

 

Bernard Martínez indicou que compartilha a iniciativa das "reformas profundas" que necessita a Constituição e que acompanha "todos os processos que permitam uma democracia plena". "Acompanhamos a proposta de acordos políticos e a proposta de San José para que finalmente Honduras volte à paz".

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