Edgard Garrido/Reuters
Edgard Garrido/Reuters

Micheletti não aceita assessorar Lobo com Zelaya

Presidente de facto afirma que 'nunca estará junto à Zelaya'; Lobo assume no próximo dia 27

Associated Press,

19 de janeiro de 2010 | 18h11

O presidente de facto Roberto Micheletti disse nesta terça-feira, 19, que não aceitaria figurar em uma lista de assessores proposta pelo mandatário eleito Porfirio Lobo, líder do opositor Partido Nacional, se nela estiver o presidente deposto Manoel Zelaya.

 

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Em uma coletiva de imprensa, Lobo anunciou nesta segunda-feira, 18, que instituirá um conselho de assessores formado pelos ex-presidentes hondurenhos Roberto Suazo Córdova (1982-1986, Rafael Leonardo Callejas (1990-1994), Carlos Flores Facussé (1998-2002), Ricardo Maduro (2002-2006), Zelaya (2006-2009) e Micheletti.

 

O presidente de facto, designado pelo Congresso após o golpe de Estado de 28 de junho contra Zelaya, disse, após participar de um ato oficial para se despedir dos empregados da casa presidencial, que não está disposto a integrar um conselho em que participe o presidente deposto. "Só assessorarei (Lobo) se ele me chamar em separado, mas nunca estarei junto a Zelaya", afirmou.

 

Micheletti acrescentou que espera que o novo presidente faça os contatos para que Honduras volte à comunidade internacional nos primeiros seis meses de seu governo.

 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) expulsou Honduras depois do golpe e ainda não reconhece o regime de Micheletti, que incitou os hondurenhos a "apoiar o futuro presidente, que foi escolhido pelo povo e que receberá a nação em momento difícil". Segundo o presidente de facto, "a situação se resolverá somente com vontade e amor à pátria".

 

Os militares depuseram Zelaya e o enviaram à Costa Rica em 28 de junho. O presidente deposto retornou à Tegucigalpa em 21 de setembro e se refugiou na Embaixada do Brasil, onde ainda se encontra. Segundo Zelaya, Lobo decidirá se ele será asilado ou se ficará em Honduras quando assumir.

 

O presidente eleito em 29 de novembro declarou que chegará ao governo "com responsabilidade e sem buscar culpados dos problemas do passado, e me apoiarei em um conselho assessor integrado por ex-governantes e líderes dos setores mais representativos da sociedade."

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