Reuters
Reuters

Micheletti quer observadores independentes em Honduras

Pressionado, líder de facto afirma que país pode receber emissários para apurar denúncias sobre violência

Efe e BBC Brasil,

20 de julho de 2009 | 18h53

O presidente de facto Honduras, Roberto Micheletti, disse nesta segunda-feira, 20, que pediu à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o envio de um emissário para que conheça a situação no país. "Quando eu falei ontem (domingo) com a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse para, por favor, enviar alguém de confiança, alguém com quem ela possa ter um diálogo verdadeiro e que lhe diga se é certo afirmar que neste país há mortos a cada momento", disse em coletiva de imprensa.

 

Micheletti também quer que o eventual enviado verifique se "há pessoas presas" ou se "há ultraje a crianças ou à dignidade do ser humano". Além disso, convocou "todos os organismos de direitos humanos do mundo inteiro" para que "tomem conhecimento do que realmente está acontecendo" em Honduras. "Estamos sendo intimidados pelo exterior. Aqui dentro estamos vivendo a paz que queremos", comentou.

 

Veja também

linkMicheletti: Quem violou a lei não pode voltar ao poder

link'Ditadura' em Honduras é loucura, diz OEA

linkZelaya encerra diálogo e anuncia 'insurreição'

linkDelegação de Micheletti quer julgar Zelaya em Honduras

especialEntenda a origem da crise política em Honduras 

lista Perfil: Eleito pela direita, Zelaya fez governo à esquerda

lista Ficha técnica: Honduras, um país pobre e dependente dos EUA 

 

Nenhum país reconheceu o governo interino de Honduras e tanto os Estados Unidos como a ONU e a OEA afirmaram reconhecer o líder deposto, José Manuel Zelaya, como o presidente legítimo do país. O governo de facto do país centro-americano continua se recusando a volta de Zelaya ao poder.

 

No fim de semana, fracassou uma nova tentativa de superar a crise em Honduras, mediada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. O mediador, que já ganhou o Nobel da Paz, disse que Honduras estaria a um passo da guerra civil e pediu por novas negociações em 72 horas.

 

RELAÇÃO COM EUA

 

Ainda nesta segunda-feira, o vice-ministro da Defesa de Honduras, Gabo Khalil, disse à Agência Efe que as relações militares e protocolos de segurança com Washington "se mantêm firmes". A vice-chanceler de Micheletti, Marta Lorena Alvarado, revelou, por outro lado, as gestões internacionais empreendidas pelo novo governo, e assinalou que esperam concretizar uma visita ao Parlamento Europeu e que a ajuda ao país seja mantida.

 

"Confiamos que a Comunidade Econômica Europeia mantenha sua decisão de nos ajudar para que haja eleições livres, com financiamento e observadores internacionais", assegurou, ao aludir às eleições gerais convocadas para o próximo dia 29 de novembro. A comissária de Assuntos Exteriores da União Europeia, Benita Ferrero-Waldner, confirmou nesta segunda que tomou a "difícil decisão" de congelar o envio de 65,5 milhões de euros em ajuda orçamentária ao governo hondurenho e insistiu que o bloco apoia todos os esforços para que "não haja violência" no país centro-americano.

 

Enquanto isso, seguidores de Zelaya se concentraram diante da sede do Parlamento em Tegucigalpa para exigir, como há 23 dias, o retorno do líder deposto, e criticar o diálogo conduzido por Arias e a pedido de Washington. "Desde que nomearam o mediador, dissemos que era um processo dilatório por parte dos EUA, que só serviria para buscar consolidar os golpistas. Também dissemos que os mesmos golpistas fariam fracassar como parte desse processo de demora", disse o dirigente popular Carlos Reyes.

 

Segundo ele, a agenda do movimento a favor de Zelaya "não depende do que acontece na Costa Rica", mas da restituição dele para "a ordem institucional do país ser retomada". Em comunicado, a Frente Nacional contra o golpe de Estado questionou "a posição intransigente" da comissão nomeada por Micheletti, e advertiu que "torna impossível uma solução bem-sucedida em San José."

 

Tudo o que sabemos sobre:
Hondurasgolpe de Estado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.