Micheletti resiste à pressão para revogar estado de sítio

Mesmo criticado pelos EUA e pela ONU, líder de facto recusa pedido de empresários e políticos hondurenhos

ESTEBAN ISRAEL E MIGUEL ANGEL GUTIÉRREZ, REUTERS

01 de outubro de 2009 | 22h32

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, ignorou nesta quinta-feira, 1, a pressão dentro e fora de seu país para que revogue um decreto que suspendeu as liberdades civis, colocando um novo obstáculo para resolver a pior crise da América Central em décadas.

 

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Empresários e políticos haviam pedido a Micheletti que reconsiderasse a suspensão da liberdade de imprensa, associação ou circulação, o que alguns interpretaram como uma fissura na coalizão que apoiou o golpe militar de 28 de junho.  Mas o presidente de facto não pareceu ceder um milímetro, mesmo com as críticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos Estados Unidos.

"Não gostamos (das medidas), mas talvez foram necessárias e é preciso mantê-las pelo menor tempo possível", disse o líder da poderosa Associação Nacional das Indústrias, Adolfo Facussé. Micheletti defendeu mais tarde suas medidas perante os juízes da Corte Suprema, onde foram apresentados 15 recursos contra o decreto, entre eles um de inconstitucionalidade. "Só viemos escutar o conselho que podiam nos dar, se foi cometido algum erro ou não", disse o presidente de facto.

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, foi expulso do país há três meses por um golpe militar motivado por suas aspirações de tentar mudar a Constituição para permitir sua reeleição, como fez anteriormente o aliado presidente venezuelano, Hugo Chávez.

Mesmo com todos os setores da sociedade citando nesta quinta-feira um possível diálogo entre as partes, a restituição de Zelaya ao poder ainda parecia ser um obstáculo insuperável. O presidente deposto voltou surpreendentemente ao país em 21 de setembro e está abrigado desde então na embaixada brasileira na capital Tegucigalpa.

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