Micheletti retoma poder e Congresso pode decidir sobre Zelaya

Legislativo pode votar restituição ou não do líder deposto; presidente de facto volta após uma semana ausente

Reuters e Efe,

02 de dezembro de 2009 | 15h35

O presidente de facto de Honduras, Roberto Micheletti, voltou ao poder nesta quarta-feira, 2, após ausentar-se por uma semana enquanto o Congresso se preparava para votar sobre uma possível restituição do líder deposto, Manuel Zelaya.

 

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Micheletti deixou o poder para permitir que o país se concentrasse no controvertido processo eleitoral de domingo passado. O conservador Porfírio Lobo foi o vencedor do pleito, que não é reconhecido por boa parte das nações latino-americanas, mas é respaldada pelos EUA.

 

"O povo hondurenho disse ao mundo inteiro que quer viver em paz e democraticamente, viver com um governo democrático onde ninguém se ache superior às leis", disse Micheletti em uma entrevista ao canal 10.

 

Micheletti saudou Lobo, do Partido Nacional, Que disse é responsabilidade do Congresso decidir sobre a volta ou não de Zelaya ao poder, tal como foi estabelecido em um acordo entre as partes em outubro.

 

Zelaya, entretanto, disse que não quer ser restituído, já que isso consolidaria o golpe de Estado. Na terça, um de seus principais assessores, Carlos Reina, deixou a embaixada brasileira, onde está desde setembro com o líder derrocado, para reorganizar protestos.

 

Os EUA, o México e a Espanha afirmaram que as eleições foram limpas, mas reconhecem que é necessário o restabelecimento da ordem constitucional, quebrada desde que Zelaya foi expulso do país por militares no dia do golpe, 28 de junho. A vitória de Lobo, entretanto, não é reconhecida por um grupo de países liderado por Brasil e Venezuela, já que as eleições foram organizadas pelo governo de facto. Lobo assumiria a presidência de Honduras em 27 de janeiro.

 

Planos de Micheletti

 

Na mesma entrevista ao Canal 10, Micheletti, disse que Zelaya "já é história", mas assegurou que aceitará qualquer decisão tomada pelo Congresso sobre sua restituição.

 

"Acho que (Zelaya) já é história, porque as pessoas responderam a todas as perguntas que ele tinha exigido e também disseram que não estão de acordo com a posição dele de tentar (...) boicotar as eleições, disse o presidente de facto, que assegurou que respeitará a decisão que for tomada pelo Congresso na sessão que começará nesta quarta para determinar a restituição ou não de Zelaya, em cumprimento do acordo de Tegucigalpa-San José, assinado no dia 30 de outubro.

 

"Eles tomarão sua decisão, eu respeitarei a decisão que tomarem. Lembremos que aceitar que Zelaya retorne é aceitar que eu saia da Presidência", disse.

 

O presidente de fato insistiu em que se o Congresso decide pela restituição de Zelaya irá para sua casa e não voltará ao Legislativo, órgão do qual era presidente antes do golpe de Estado de 28 de junho. "Me limpo de qualquer responsabilidade administrativa", disse.

 

Micheletti ainda disse que durante sua ausência da Casa Presidencial "não teve qualquer relação com alguém que possa falar sobre" a restituição de Zelaya e assegurou que tentou ser "o mais respeitoso possível" sobre as decisões de outros organismos.

 

Se o Congresso decidir por não restituir Zelaya, Micheletti disse que sua posição será de "continuar no governo ajudando o presidente eleito para que ele tenha conhecimento pleno (...) do que acontecerá no início de seu governo".

 

Micheletti disse, ainda, que não tem intenção de realizar nenhuma ação contra a embaixada do Brasil, onde Zelaya está abrigado desde 21 de setembro.

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