Mídia argentina diz que Brasil respaldou atuação de Kirchner

Imprensa comenta declarações de Garcia, que defendeu que o ex-presidente não foi usado por Hugo Chávez

Marina Guimarães, da Agência Estado,

03 de janeiro de 2008 | 14h52

Algumas agências e sites de notícias da Argentina repercutem nesta quinta-feira, 3, as declarações do assessor de assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia, sobre a atuação do ex-presidente Néstor Kirchner nas fracassadas negociações para a liberação dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc).   "Brasil saiu a respaldar Kirchner com firmeza, depois do falido resgate de reféns", estampou o Ámbito Financiero. "O governo brasileiro respaldou o papel que Néstor Kirchner cumpriu na frustrada operação de liberação de reféns na Colômbia e advertiu que é injurioso considerar que o ex-mandatário foi utilizado por Hugo Chávez", disse o jornal.   "É injusto, quase uma injúria dizer que um homem com as características do presidente Kirchner possa ser utilizado", enfatizou Marco Aurélio García, segundo destacou a agência NA (Notícias Argentinas). "O funcionário do governo de Lula da Silva, que desempenhou junto com Kirchner como avalista internacional na Colômbia, descartou que os dirigentes opositores argentinos tenham razão em suas críticas dirigidas ao ex-presidente", afirmou o Infobae.   "Não creio que tenham razão. O presidente Kirchner foi uma pessoa chave na negociação. Sem ele a negociação teria sido distinta. Deu muito peso à delegação e deu sempre uma palavra muito coerente", declarou Garcia, segundo ressaltou a mídia argentina.   Garcia disse, segundo a NA, que Kirchner "exerceu uma função de liderança de grupo". Por outra parte, o assessor brasileiro também considerou que a negociação com as Farc "não foi um fracasso", mas reconheceu que sim foi "uma frustração". Porém, ressaltou que "não estava nas mãos dos avalistas" conseguir a liberação dos reféns. Em sua opinião, poderia haver futuras negociações similares à anterior para liberar os reféns. Ao ser consultado sobre a responsabilidade das Farc na frustrada operação, Garcia afirmou que "não os estava acusando", mas considerava que "houve responsabilidade".   "Eles sinalizaram que houve uma intensificação das ações militares do governo colombiano, o que foi desmentido pelo governo colombiano", completou. Sobre a informação de Bogotá de que o garoto Emmanuel estaria em uma instituição social, Garcia disse que preferia não falar sobre as "várias hipóteses". Ele ressaltou que "os principais perdedores de tudo foram os reféns e os familiares. Podemos comprovar que há um enorme desejo de paz no povo colombiano".

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