Milhares de argentinos saem às ruas para protestar contra governo

Dezenas de milhares de argentinos e opositores saíram nesta quinta-feira às ruas das principais cidades do país para protestar contra a presidente argentina, Cristina Kirchner, a quem acusam de levar adiante uma gestão autoritária e corrupta.

NICOLÁS MISCULIN, Reuters

18 de abril de 2013 | 20h48

O protesto foi convocado por meio das redes sociais, assim como foi feito em duas outras vezes no ano passado, com apoio da oposição, meses antes da realização de eleições legislativas, nas quais o governo peronista tentará conservar sua maioria parlamentar.

"Estou cansado das mentiras e da prepotência. Cansado de que robem tudo. O protesto é massivo", disse à Reuters Gabriel Segura, de 28 anos.

A elevada inflação no país, que, segundo especialistas, é o dobro dos números oficiais, várias denúncias de corrupção e um recente projeto de lei para modificar a estrutura do Poder Judiciário eram as principais queixas dos manifestantes.

Uma imensa bandeira da Argentina cruzou o centro de Buenos Aires, enquanto as pessoas cantavam contra o governo com o ruído das batidas de panelas ao fundo.

Em meio à multidão, que tinha cartazes que diziam "Basta" e vários tipos de exigências, a TV local mostrou diversos membros da oposição política e sindical.

"Alguém tem que responder pelos níveis sem precedentes de corrupção que estamos vendo. Gostaria que meus companheiros da Frente para a Vitória (governista) viessem à rua e escutassem as pessoas", afirmou ao canal C5N Sergio Bergman, do partido opositor PRO.

Depois de ser reeleita em 2011 com 54 por cento dos votos, a aprovação da gestão de Cristina caiu de forma sustentada durante o ano passado.

O estilo de confronto da presidente, que chegou ao governo em 2007 sucedendo seu marido Néstor Kirchner, que morreu em 2010, provocou disputas com diversos grupos e corporações nos últimos anos e também costuma causar mal-estar entre seus opositores.

(Reportagem adicional de Guido Nejamkis)

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