Milhares de desabrigados esperam ajuda após terremoto no Peru

As vítimas do devastadorterremoto que atingiu o Peru na semana passada ficaram horasnas filas na segunda-feira para receber cobertores, comida eágua, enquanto o presidente Alan García tentava arrumar umasolução para o pesadelo de logística para fazer os suprimentoschegarem à zona afetada. O tremor de 8 graus de magnitude matou mais de 500 pessoase destruiu cerca de 34 mil residências na quarta-feira. Cincodias depois, dezenas de milhares de pessoas não têm onde dormire dizem que se sentem abandonadas. Toneladas em suprimentos doados por outros países chegaramà capital Lima, mas os danos à estrada e a falta deorganização, segundo alguns, estão impedindo que o materialchegue às vítimas, nas cidades próximas ao litoral do Pacífico. Alguns abrigos foram montados na cidade mais atingida,Pisco, 250 km ao sul de Lima, onde quase todas as casas foramdestruídas. Mas, nas cidades próximas dali, a situação édesesperadora. "Não chegou nenhuma ajuda onde moro", disseJustina Huaman, enquanto milhares de pessoas famintas e comfrio acumulavam-se na praça principal de Chincha, que ficaentre Lima e Pisco. Grupos assistenciais disseram que o governo do Peru deviaestar mais preparado. As cidades não tinham equipamentosbásicos como geradores para manter os hospitais funcionando, ostelefones em operação e o abastecimento de água. "Alguma coisa deu errado quanto à prontidão", disse RichardHartill, diretor para a América do Sul do grupo Save theChildren. Muitos sobreviventes fugiram da região em ônibus ecaminhões durante o fim de semana, mas dezenas de milhares depessoas permanecem na área atingida e dependem totalmente daajuda do governo. Em Pisco, as pessoas relutavam em ir para os abrigos. O quequeriam era a chegada rápida de ajuda para começar areconstruir suas casas. "A logística é terrível", disse Juan Baraona, 52 anos,diante da pilha de tijolos no lugar em que antes ficava suacasa. "Estamos aqui parados há dias. Não há bancos, não hádinheiro." García chegou à área atingida poucas horas depois do tremore tem passado os dias lá, tentando organizar a confusão. Nasegunda-feira, ele disse que vai criar uma agência especialpara os esforços de limpeza e reconstrução. Mesmo assim, o principal jornal do país, o El Comercio,disse que a demora na chegada do socorro mostra como o "governoestá despreparado para reagir rápido a uma emergência". Uma pesquisa publicada pelo jornal mostrou que 72 por centodas pessoas aprovavam o modo como García estava lidando com acrise, mas 92 por cento consideraram que o Peru estavadespreparado para um terremoto de grandes proporções. Se o tremor tivesse acontecido mais perto de Lima, ondevivem 7 milhões de pessoas, os danos teriam sido muito maiores. O terremoto, que também deixou cerca de mil feridos, foi umdos piores desastres do Peru nos últimos cem anos. Em 1970, umterremoto matou 50 mil pessoas, quando avalanches soterraram acidade de Yungay.

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