'Milico, decime que se siente'

Avós da Praça de Maio têm versão de canção

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2014 | 02h01

O ritmo da música criada pela torcida argentina para provocar o Brasil durante a Copa do Mundo deste ano segue vivo. Uma versão da "pegajosa" Brasil, decime que se siente tem feito sucesso nas redes sociais nos últimos dias, depois que uma das fundadoras da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, obteve a confirmação da localização do paradeiro de seu neto, Guido - que ganhou dos pais adotivos o nome de Ignacio Hurban.

Na quarta-feira, a imagem de Estela celebrando o fato e cantando a musiquinha com seus companheiros durante uma entrevista coletiva na sede da organização se converteu num viral da internet.

A canção foi modificada e direcionada à busca pelos cerca de 400 netos que ainda estão desaparecidos desde a ditadura militar, de 1976 e 1983.

"Milico decime qué se siente/ Que hayamos encontrado un nieto más/ Te juro que aunque pasen los años/ Siempre los vamos a buscar/ Porque ahora somos más/ Las viejas van a brindar/ Y los pibes con nosotros van a estar", diz a letra em espanhol.

A melodia é adaptada da canção Bad Moon Rising, da banda americana Creedence Clearwater Revival.

História. Depois da morte da mãe nos porões da ditadura, há 36 anos, Guido teria sido entregue por um militar a Francisco Aguilera, dono da fazenda onde trabalhavam Juana e Clemente Hurban. Aguilera teria repassado o bebê aos Hurban, que não tinham filhos, mas sem explicar a origem da criança.

Aguilera tinha contatos estreitos com os militares. Na região da Colônia San Miguel, onde cresceu Guido, a ditadura havia instalado um centro clandestino de detenção e torturas. O neto é músico e trabalha no conservatório musical onde é professor de piano.

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