Militar argentino acusado de roubar bebês aparece morto

Paúl Navone falaria na Justiça nos próximos dias sobre os crimes cometidos durante a ditadura

REUTERS

26 de fevereiro de 2008 | 13h20

Um militar argentino reformado acusado de roubar bebês de prisioneiros políticos durante a última ditadura apareceu morto com um tiro na cabeça, informou nesta terça-feira, 26, uma fonte oficial. Paúl Navone era acusado de ter participado do roubo de alguns recém-nascidos de uma maternidade clandestina que funcionava dentro de um hospital militar na cidade de Paraná, na província de Entre Ríos. Dentro de alguns dias, ele prestaria depoimento à Justiça. Navone é o segundo militar acusado de crimes contra a humanidade que aparece morto desde dezembro, num momento em que a Justiça avança na reabertura de investigações sobre as causas de crimes cometidos durante a ditaduta (1976-1983), quando, segundo denúncias, desapareceram 30 mil pessoas. A pessoa morta "é Paúl Navone e a causa da morte seria um tiro na cabeça. Estamos investigando como aconteceu para determinar se foi homicídio ou suicídio", disse ao canal de notícias TN a advogada Marina Barbagelata. "Esse repressor havia sido convocado pela juíza federal de Paraná para prestar depoimento. Ele era acusado de ter participado do sequestro destes menores logo após o nascimento, entre fevereiro e março de 1978", acrescentou. No dia 10 de dezembro, o ex-repressor Héctor Febres, que estava detido acusado de privação ilegítima da liberdade durante a ditadura, apareceu morto em sua cela quatro dias antes de a Justiça anunciar sua sentença. Inicialmente acreditava-se em suicídio, mas depois se soube que ele morreu por ter ingerido cianureto após ter dito a familiares que pensava declarar e dizer tudo o que tinha feito e visto. Segundo a juíza da causa, ele teria sido assassinado para que não falasse. No caso de Navone, "é altamente provável que existam pessoas que poderiam ver-se ameaçadas frente a uma declaração de Navone", segundo a advogada. Os bebês que nasceram na maternidade clandestina do Paraná ainda não foram encontrados por organismos de direitos humanos, como as Avós da Praça de Maio, que se dedicam a procurá-los.

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