Militar da 'Guerra Suja' na Argentina será julgado na Espanha

Ricardo Cavallo é acusado de matar e torturar cidadãos espanhóis durante a ditadura militar no país vizinho

Sonya Dowsett, REUTERS

18 Julho 2007 | 12h16

Um ex-oficial da Marinha argentina acusado de envolvimento no assassinato de milhares de pessoas durante o período conhecido no país vizinho como "Guerra Suja" continuará no território espanhol até ser julgado, decidiu nesta quarta-feira, 18, a Suprema Corte da Espanha, rejeitando um pedido de extradição feito pela Argentina. Ricardo Cavallo, que atuou durante o governo militar entre 1976 e 1983, está detido no país europeu desde 2003, quando se viu extraditado do México e acusado formalmente pelas autoridades espanholas dos crimes de genocídio e terrorismo. Promotores da Espanha pediram que Cavallo seja condenado a várias penas de prisão perpétua consecutivas por matar e torturar cidadãos espanhóis durante a ditadura militar. Quando Cavallo passou para as mãos da Espanha, deu-se pela primeira vez um caso no qual um país extraditava um suspeito para um outro país a fim de fazê-lo responder por crimes ocorridos em um terceiro. A decisão da Suprema Corte da Espanha anula a sentença da Alta Corte espanhola expedida em dezembro, segundo a qual Cavallo deveria ser entregue a autoridades argentinas que haviam requisitado a extradição dele. No entendimento da Suprema Corte, a Alta Corte não poderia abrir mão de sua jurisdição em nome de um país estrangeiro.

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