Militares assumem controle de cidade boliviana na Amazônia

Exército ocupa Cobija sem resistência; região foi palco dos piores choques entre oposição e partidários de Evo

Reuters,

16 de setembro de 2008 | 16h36

As Forças Armadas bolivianas consolidaram nesta terça-feira, 16, seu controle sobre a pequena cidade amazônica de Cobija, capital do Departamento de Pando, onde aconteceram os piores incidentes na atual onda de violência política no país. Soldados fortemente armados ocuparam sem resistência o centro da cidade, depois de terem detido no meio da manhã o governador Leopoldo Fernández, acusado de ordenar um massacre de camponeses e ignorar o estado de sítio em vigor desde sexta-feira.     Veja também:Santa Cruz exige libertação do governador de Pando Opositores acusam Chávez de controlar Evo Bolívia tem histórico de golpes e crises  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Entenda o que é a Unasul Enviada do 'Estado' mostra fim dos bloqueios Imagens das manifestações    "Tomara que isso traga paz à região, depois de tanta violência entre irmãos", disse Lino Mihauchi, diretor da rádio local Frontera, enquanto os militares dispersavam dezenas de moradores que gritavam a favor e contra Fernández na praça central. Um comandante militar assumiu o governo do Departamento, cuja sede ficou sob a proteção do Exército.   O progressivo aumento da presença militar nas ruas não parece incomodar os moradores da cidade, cerca de 1.000 quilômetros ao norte de La Paz e separada da fronteira brasileira no Acre apenas por um rio. Mas os protestos e o fechamento do aeroporto local aos vôos comerciais há mais de três semanas já começam a provocar incômodos aos cerca de 30 mil habitantes da capital pandina, cuja principal atividade econômica é o comércio, graças a seu status de zona franca. Nesta terça-feira, pelo quinto dia consecutivo, a maioria dos estabelecimentos não abriu - inclusive bancos, que disseram estar sem dinheiro. Em La Paz, o ministro de Governo (Casa Civil), Alfredo Rada, manifestou confiança em uma rápida normalização da região. "O estado de sítio está restabelecendo a ordem pública e a tranquilidade no Departamento de Pando. Já se procederam algumas detenções que permitiram baixar o nível de agressividade que alguns dias atrás permanecia na cidade de Cobija", disse Rada a jornalistas.   O governador Fernández é acusado pelo governo central de contratar pistoleiros que realizaram uma emboscada contra uma caravana que se dirigia a uma assembléia em prol do presidente Evo Morales. O incidente deixou 15 mortos, 37 feridos e 106 desaparecidos, segundo a contagem oficial mais recente. O ministro da Defesa, Walker San Miguel, disse que a prisão de Fernández vai contribuir com a paz regional porque o governador estaria resistindo ao estado de sítio e teria até mesmo convocado duas manifestações. Ele citou também a prisão preventiva de 11 suspeitos de participação no massacre, transferidos para La Paz.   Segundo San Miguel, uma missão humanitária independente, composta pela Cruz Vermelha e pela Igreja, chegará nas próximas horas a Pando. De acordo com ele, a missão só não viajou antes devido à presença de "civis armados" na região.  

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