Militares da Venezuela invadem a Guiana e destroem garimpo

Guiana informou que tropas do país foram enviadas à fronteira em reação a uma suposta invasão do território

Renato Martins,

16 de novembro de 2007 | 17h21

O Ministério das Relações Exteriores da Guiana informou que tropas do país foram enviadas à fronteira ocidental nesta sexta-feira, em reação a uma suposta invasão do território do país por soldados venezuelanos. Os militares da Venezuela teriam explodido duas dragas de garimpos de ouro em um rio próximo da fronteira.Veja também:  Chávez acusa o Congresso brasileiro de submissão aos EUA Cronologia do impasse entre o Senado brasileiro e Hugo Chávez De olho em Chávez, militares da Amazônia vão treinar no HaitiDe acordo com os militares da Guiana, as tropas da Venezuela usaram helicópteros e explosivo C-4 para destruir as dragas; ninguém teria ficado ferido no incidente, que os militares da Guiana não sabiam dizer se aconteceu no rio Wenamu, que faz a fronteira entre os dois países, ou no rio Cuyuni, em território da Guiana.O ministro das Relações Exteriores da Guiana, Rudy Insanally, convocou o embaixador venezuelano na capital, Georgetown, Dario Morandy, para dar explicações sobre o incidente. Funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Venezuela disseram que não havia nenhum comunicado oficial a divulgar sobre o assunto.No ano passado, um soldado da Guarda Nacional da Venezuela matou a tiros um garimpeiro guianense no lado da fronteira pertencente à Guiana. Ninguém chegou a ser preso depois desse incidente. As informações são da Associated Press, citada pela Dow Jones.DemocraciaO "afago" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o recente elogio "à democracia" chavista voltaram a provocar manifestações no Senado nesta sexta-feira, apesar do baixo quorum, já praxe às sextas-feiras, sobretudo após o feriado.O presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), afirmou que Lula "se precipitou" ao sair em defesa de Chávez na polêmica com o rei da Espanha, Juan Carlos. Durante reunião da cúpula Ibero-Americana, no Chile, Juan Carlos recomendou que Chávez cala-se. "O silêncio do Lula seria a melhor opção", avaliou Herácilto. O senador, porém, lamentou o fato de Lula freqüentemente sair em defesa do colega venezuelano. E ironizou: "Já é tradicional esse afago do Lula para com o Chávez e do Chávez para com o Lula."O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) também fez críticas. "Democracia pressupõe instituições fortes, liberdade de imprensa. Esses elementos existem na Venezuela? Eu não consigo enxergar", afirmou. Pegando a Venezuela como mote, Mozarildo ainda usou o plenário na sessão da manhã de ontem para alertar que o Brasil deve preparar-se para defender suas fronteiras.Ele disse que enquanto a Venezuela prepara-se para defender sua fronteira o Brasil diminui seu orçamento militar. Ele lembrou ainda que o Brasil perdeu parte de seu território para a Guiana Inglesa, em 1899, quando a Venezuela, "que disputava com a Inglaterra a região a oeste do rio Essequibo, não aceitou o domínio inglês". "Não se pode dizer que foi o Chávez que inventou (essa situação) porque há muitas décadas, talvez quase um século, a Venezuela não aceita essa área como sendo da Guiana. O governo brasileiro faz o inverso. O Brasil está sucateando as Forças Armadas", afirmou. 

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