Militares hondurenhos veem plano expansionista da Venezuela

Comandante do Exército de Honduras diz que deposição de Manuel Zelaya interrompeu "socialismo disfarçado"

Agência Estado e Associated Press,

05 de agosto de 2009 | 15h32

O comandante do Exército de Honduras, general Miguel Angel García, afirmou nesta terça-feira, 4, que a expulsão do presidente Manuel Zelaya, de Honduras, interrompeu um plano expansionista "disfarçado de democracia" da Venezuela.

 

"Honduras, a sociedade hondurenha e suas Forças Armadas pararam esse plano expansionista de um líder sul-americano de levar ao coração dos Estados Unidos um socialismo disfarçado de democracia", avaliou García, sem mencionar diretamente o presidente venezuelano Hugo Chávez. "Assim, em Honduras, se freou o socialismo disfarçado de democracia", afirmou ele, em entrevista ao Canal 5 local.

 

"Honduras disse não a esse plano, simplesmente porque na experiência de quase 30 anos durante a Guerra Fria se experimentou a situação crítica da subversão que viveu a América Central", acrescentou García.

 

Entre 1979 e 1990, Honduras se converteu no centro de operações de Washington para o combate às guerrilhas da esquerda na Guatemala, em El Salvador e na Nicarágua, nos quais houve guerras civis que deixaram quase 200 mil mortos em 11 anos.

 

Na entrevista à televisão, compareceram os generais Romeo Vásquez, chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, e seu vice, Venancio Cervantes. Estavam também os generais Luis Javier Prince, chefe da Aeronáutica, e o contra-almirante Juan Pablo Rodríguez, comandante da Marinha.

 

"O povo é o soberano que determinará o tipo de ideologia que escolha", afirmou Vásquez. Este garantiu que a "mente flexível dos militares" é capaz de trabalhar com um presidente de esquerda, caso algum deles vença as eleições nacionais.

 

"Os militares respeitamos qualquer solução que se obtenha sob a mediação do presidente (da Costa Rica, Oscar) Arias... e acataremos sem problemas qualquer resolução a que se chegue em San José", ressaltou Vásquez. Arias tem atuado como mediador entre Zelaya e o governo interino liderado por Roberto Micheletti, por enquanto sem sucesso.

 

Cervantes disse que os militares depuseram Zelaya "de acordo com a missão que nos deram os tribunais, com um profissionalismo muito grande". Já Rodríguez ressaltou que as Forças Armadas fizeram "prevalecer a defesa e a sobrevivência do Estado, que era ameaçado".

 

Zelaya foi deposto em um golpe militar em 28 de junho e forçado ao exílio na Costa Rica. Nesse mesmo dia, o presidente do Congresso, Micheletti, assumiu o posto. Horas depois do golpe, Chávez chegou a ameaçar mandar tropas a Honduras para restituir Zelaya. A Organização dos Estados Americanos (OEA) suspendeu Honduras após o golpe.

 

Entre 1956 e 1982, os militares governaram Honduras durante quase 20 anos, após derrubarem três presidentes eleitos democraticamente. Desta vez, após retirarem Zelaya do cargo deixaram o poder na mão dos civis.

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