Militares morrem após pisar em minas no Peru

Dois militares morreram e cinco ficaram feridos depois da explosão de minas deixadas por rebeldes do grupo Sendero Luminoso na selva central do Peru, informou na quarta-feira o comando conjunto das Forças Armadas, ao sofrer seu mais duro golpe em vários meses.

TERESA CÉS, REUTERS

24 de novembro de 2010 | 19h16

O fato ocorreu na terça-feira, quando membros do Exército peruano realizavam uma ofensiva contra o Sendero Luminoso na localidade de San Martín de Pango, em Junín, reduto da guerrilha.

"Patrulhas das Forças Armadas ... ativaram armadilhas explosivas colocadas por terroristas do Sendero Luminoso", disse nota das Forças Armadas. Os mortos são um tenente e um suboficial do Exército.

Este é o segundo incidente em menos de uma semana na região conhecida como VRAE (vales dos rios Apurímac e Ene). Na sexta-feira, dois supostos rebeldes do Sendero Luminoso morreram em confronto com militares na região de Ayacucho.

Para evitar um reinício da violência, o Exército e a polícia reforçaram nos últimos meses uma ofensiva lançada há quase dois anos pelo governo do presidente Alan García em zonas onde agem remanescentes dos rebeldes.

Analistas preveem que as emboscadas dos rebeldes aumentarão nos próximos meses, com a aproximação das eleições presidenciais de abril de 2011.

Desde o início da ofensiva, mais de 50 militares e policiais morreram em confrontos ou ataques do Sendero Luminoso, grupo que estaria recrutando atualmente crianças e jovens em zonas remotas do país, segundo relatos recentes da imprensa local.

TVs mostraram nesta semana dezenas de crianças empunhando fuzis numa zona remota do Peru, com guerrilheiros adultos conclamando-os à luta armada.

Os ataques ocorrem num momento em que policiais e funcionários antidrogas do Peru, um dos maiores produtores e exportadores mundiais de cocaína, reiniciaram um programa de redução de cultivos da folha de coca.

O Peru enfrentou durante duas décadas uma sangrenta luta contra o Sendero Luminoso, no qual morreram ou desapareceram cerca de 69 mil pessoas, segundo dados oficiais.

Em seu auge, o Sendero Luminoso, que iniciou sua luta armada em maio de 1980, pregava a instalação de um Estado comunista no Peru. Com a captura, em 1992, do seu principal líder, Abimael Guzmán, duas facções remanescentes se transformaram em aliadas do narcotráfico, que lhes provê com armas, munições e alimentos.

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