Militares mortos no Haiti são enterrados em São Paulo

Oito corpos já foram sepultados; vítimas foram homenageadas por Lula em Brasília na quinta-feira

Rejane Lima e João Carlos de Faria, de O Estado de S. Paulo,

22 de janeiro de 2010 | 13h31

Oito dos 18 militares brasileiros mortos em decorrência do terremoto que atingiu o Haiti no dia 12 deste mês foram enterrados nesta sexta-feira, 22, em cidades no Estado de São Paulo. Os corpos, velados nesta sexta pelas famílias, chegaram na quinta-feira a Brasília, onde receberam homenagem do Exército e do presidente Lula. Apenas um corpo permanece o Haiti.

 

Em São Vicente, na Baixada Cientista, o cabo Ari Dirceu Fernandes Júnior, de 23 anos, foi sepultado por volta do meio dia no cemitério metropolitano. O corpo do militar que morreu no terremoto do Haiti na semana passada seguiu em cortejo a partir da catedral de Santos onde ocorreu o velório e missa de corpo presente.

 

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Pertencente ao 2º batalhão de infantaria leve (BIL) de São Vicente, Cabo Dirceu, como era chamado, recebeu honras militares. O caixão foi levado em uma viatura blindada de transporte de pessoal. Na entrada do cemitério vertical, houve salva de tiros e a marcha fúnebre foi tocada por 20 músicos do 2º BIO. Familiares e militares acompanharam a cerimônia, alguns deles muito emocionados. A família agradeceu o apoio que tem recebido do exército.

 

Na cerimônia fúnebre do sepultamento do soldado Kléber da Silva Santos, de 22 anos, o cortejo foi companhado por cerca de 500 pessoas.

 

O militar pertencia ao 2º BIL e foi sepultado com honras militares no Cemitério Vertical Metropolitano de São Vicente.

 

O corpo foi velado em um salão comunitário no bairro Parque das Bandeiras, onde o militar residia. De lá, o caixão seguiu a céu aberto em cortejo até o cemitério. Uma salva de tiros recebeu o corpo do soldado, além da marcha fúnebre.

 

Muito abalada, a família do soldado não falou com a imprensa. Dezenas de pessoas usavam uma camiseta com a foto de Kléber e os dizeres " Haiti: mais que uma missão, um ato de solidariedade".

 

Soldados de Cachoeira Paulista

 

A cidade de Cachoeira Paulista parou na manhã desta sexta para receber os corpos dos soldados Antonio José Anacleto, Rodrigo Augusto da Silva e Tiago Anaya Detimermani, dois dos militares vítimas do terremoto no Haiti. Eles foram aclamados pela população como heróis que morreram em missão de paz.

 

Anacleto e Da Silva foram velados no salão da Câmara Municipal, e Anaya seguiu para a capela do bairro Embauzinho, onde morava com os familiares e já tinha data - dia 10 de abril - para oficializar seu casamento religioso com a estudante Rosilene Adriana Detimermani, com quem já estava casado no civil, desde 2008.

 

Uma missa de corpo presente foi celebrada às 11h30, em homenagem aos militares velados na câmara cachoeirense. Dos três, Anacleto seria sepultado ás 12h30, em Cachoeira Paulista; Rodrigo, às 14h, em Silveiras, e Tiago às 17h, em Cruzeiro.

 

O capelão militar do Comando de Aviação do Exército, de Taubaté, capitão Marcos da Costa Ramos, foi o responsável pelas celebrações póstumas em homenagem ao grupo de militares. Ele usou a passagem do evangelho que narra a ressurreição de Lázaro, para consolar amigos e familiares dos mortos.

"Aquele que acredita em Deus viverá eternamente. Eles deram suas vidas para que a paz fosse restabelecida. A recompensa será um requisito exclusivo de Deus", pregou o capelão.

 

Lorena

 

Em Lorena, no interior de São Paulo, familiares e amigos do soldado Felipe Gonçalves Julio expressaram seus sentimentos com camisetas com a frase "Seu sorriso jamais será esquecido. Você é nosso herói". O velório e enterro do militar ocorreram na madrugada e manhã dessa sexta-feira.

 

Do grupo de sete militares mortos no Haiti, ligados ao 5º Batalhão de Infantaria Leve (5º BIL) o soldado foi o primeiro a ser enterrado no cemitério municipal de Lorena, às 10h. O 2º Sargento Davi Ramos de Lima, também foi enterrado no mesmo local.

 

Os corpos de todos os militares haviam chegado à sede do 5º BIL por volta de 1h30 e, depois de um culto ecumênico, que durou 40 minutos. Depois seguiram para serem velados a critério de cada família.

 

Num clima de muita comoção e tristeza, entre parentes e amigos, a família do soldado Felipe preferiu não falar com a imprensa e proibiu fotos e imagens do momento do sepultamento. Antes de serem enterrados, os dois militares foram homenageados com missa de corpo presente e depois com marcha fúnebre, salva de três tiros e toque de silêncio.

 

"Morre a carne vive a alma. Vá meu filho para o céu, pois Deus lhe chamou", afirmou Amaro Augusto de Lima ao despedir-se do filho, o 2º sargento Davi Ramos de Lima. Emocionado, ele leu um poema antes do sargento ser enterrado no jazigo da família. e depois falou coma imprensa. "Ele foi um herói e era muito querido de todos que tiveram o prazer de conviver com ele", disse.

 

À tarde, a partir das 16h, no cemitério particular Memorial de Lorena e também longe da imprensa, foram enterrados os cabos Douglas Pedrotti Neckel e Washington Luiz de Souza Serafim. As famílias de ambos também decidiram barrar o acesso de jornalistas ao velório e ao enterro, alegando que gostariam de viver os últimos momentos "a sós" com os mortos. "O desgaste psicológico foi muito grande nesses 11 dias de espera e angústia", disse um dos parentes.

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