Arte/ estadao.com.br
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Militares venezuelanos começam a tomar o 1.º porto opositor

Jornal afirma que Guarda Nacional controla entrada e saída de Puerto Cabello, assim como operações internas

Agências internacionais,

16 de março de 2009 | 15h03

O presidente do Instituto Porto Autônomo de Puerto Cabello, Abdón Vivas, afirmou nesta segunda-feira, 16, que a Guarda Nacional venezuelana tomou as entradas e saídas do porto e iniciaram a vigilância interna, inclusive dos pátios das operadoras comerciais, segundo a edição digital do jornal El Universal. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, determinou no domingo que o Exército assumisse o controle dos portos e aeroportos do país, em uma medida que aumenta a centralização e enfraquece os governos locais de oposição.

 

Chávez deu ordens para navios da Marinha tomarem o controle de Maracaibo e Porto Cabello, o mais movimentado do país, ainda esta semana. Os três principais portos venezuelanos ficam em Estados controlados por governadores oposicionistas - Carabobo, Zulia e Nova Esparta. Chávez ameaçou prender quem tentar impedir a troca de comando.

 

Apesar da intervenção militar, os funcionários do terminal marítimo continuam os trabalhos normalmente, afirmou o presidente do Instituto ao canal Globovisión. Os representantes do porto estão dispostos a recorrer ao Tribunal Superior de Justiça para reverter a medida, afirmando que a reforma da Lei de Descentralização, que deu ao Executivo o poder de retirar dos governos locais o controle de portos, aeroportos e estradas, é inconstitucional.

 

Vivas respondeu ainda sobre as denúncias de corrupção no porto, afirmando que existem interesses ocultos de altos funcionários governamentais atuando através de "testas de ferro". Segundo o presidente, os portos estão dominados por "máfias regionais" e narcotraficantes. "É um tema de segurança nacional", justificou . "Vamos recuperar os portos e aeroportos de toda a República, essa é a lei".

 

Desde as eleições regionais de novembro, quando a oposição venceu em cinco Estados importantes e no município de Caracas, Chávez iniciou esforços para aumentar a centralização do poder no país. Grupos chavistas chegaram a ocupar prédios e fazer manobras políticas para tentar impedir que os opositores assumissem os postos conquistados nas eleições. Após sua derrota parcial, Chávez passou a emitir uma série de decretos determinando a transferência do controle de hospitais, estádios e instituições policiais dos departamentos governados pela oposição para os Ministérios da Saúde, Esportes e Interior, respectivamente.

 

Chávez também relançou sua campanha de nacionalização de setores considerados estratégicos, assumindo recentemente o controle de empresas de alimentos. Em fevereiro, conseguiu aprovação em referendo de uma mudança constitucional que possibilita reeleições ilimitadas.

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