Mineiros e greve indígena marcam bicentenário da independência do Chile

Índios mapuches lutam para recuperar terras; mineiros devem ser resgatados em novembro

ANTONIO DE LA JARA, REUTERS

18 de setembro de 2010 | 17h50

Presidente Sebastián Piñera recebe honras após assistir missa na Catedral de Santiago  

 

SANTIAGO- O Chile comemorou seu bicentenário neste sábado, 18, com a presença de autoridades estrangeiras, mas o dia foi também marcado por uma greve de fome de um grupo de indígenas e pela esperança de que os mineiros presos em uma mina do país sejam resgatados até novembro.    

 

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Segundo a tradição, todas as autoridades, incluindo vários ex-presidentes do Chile, assistiram a uma missa de Ação de Graças na Catedral de Santiago, para comemorar os 200 anos da Primeira Junta Nacional de Governo.

Durante o ato, o cardeal Francisco Javier Errázuriz lembrou que o país está em festa, mas que ainda há muito a se fazer depois do terremoto devastador de fevereiro, e também no trabalho de resgate dos mineiros e dos indígenas que estão em greve de fome.

A mensagem da Igreja aconteceu um dia depois que o presidente, Sebastián Piñera, anunciou uma mesa de diálogo para tentar resolver às exigências dos povos indígenas. Trinta e quatro mapuches estão em greve de fome há mais de dois meses porque não querem ser julgados de acordo com uma polêmica lei anti-terrorista. Piñera anunciou também que serão feitos investimentos de US$ 4 bilhões nos próximos quatro anos para melhorar as condições de vida dos mapuches, a principal etnia do país.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, que assistiu à cerimônia, disse: "Saudamos a iniciativa do presidente Piñera (... ),certamente é preciso revisar algumas políticas que vêm da época da ditadura militar e os presidentes e os governos democráticos têm a obrigação de rever essas leis."

Os mapuches lutam pelo direito de recuperar terras, no sul do país, que lhes pertencem desde o tempo dos seus ancestrais.

O presidente paraguaio, Fernando Lugo, também esteve presente e disse: "Temos dívidas, mas queremos seguir construindo e olhando para o futuro, escrevendo as páginas da história de forma mais correta, revendo dívidas e projetando um futuro com mais igualdade." Ele disse também que virá ao Brasil na próxima semana, para continuar seu tratamento contra o câncer.

Do fundo da terra

Os 33 mineiros presos também se juntaram ao país nas comemorações do bicentenário. Eles estão em boas condições de saúde, e ao meio dia, içaram do fundo da mina, a 700 metros de profundidade, uma bandeira chilena, para comemorar o dia.

"Eles são heróis e um exemplo para todos nós que estamos aqui em cima", disse Lídia Barros, que aguarda o resgate do seu irmão.

Os mineiros presos receberam uma refeição com comida típica do país e mandaram uma mensagem especial aos trabalhadores que abriram mão de participar dos festejos para continuar com a operação de resgate.

O ministro de mineração do Chile, Laurence Golborne, disse que a situação dos mineiros está "presente na mente de todos os chilenos, todos queremos vê-los fora da mina. Esperamos que o resgate aconteça em princípios de novembro."

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