Mineradores chilenos são preparados para aguentar espera por resgate

Governo local segue estudando alternativas para reduzir o período fixado inicialmente

EFE

29 de agosto de 2010 | 14h53

SANTIAGO DO CHILE - Os 33 operários que desde o dia 5 de agosto estão presos a 700 metros de profundidade em uma mina do norte do Chile começaram hoje a receber diversos objetos para facilitar a vida no fundo do abismo, enquanto é iminente o início da escavação que deverá levar ao resgate deles, segundo as autoridades.

 

Paralelamente, o Governo segue estudando outras alternativas de resgate com o objetivo de reduzir o período fixado inicialmente entre três e quatro meses, prazo necessário para fazer a perfuração do conduto de quase 70 centímetros de diâmetro pelo qual os mineradores serão resgatados à superfície.

 

Neste domingo, os familiares dos mineradores que seguem junto à mina San José, a 830 quilômetros ao norte de Santiago, receberam uma saudação pronunciada pelo papa Bento XVI na reza do Ângelus e também a notícia de que os 33 operários receberam as mensagens enviadas por eles no sábado em um vídeo.

 

Os psicólogos estão preocupados em manter o equilíbrio psicológico dos trabalhadores. Por isso os recados são curtos, cada família falou durante dois minutos. Para os familiares as mensagens são uma maneira de levar esperança e alegria aos soterrados.

 

André Sougarret, o engenheiro encarregado pelas perfurações, disse aos jornalistas que fará o possível para começar a escavação na madrugada da segunda-feira, após terminar um reforço do terreno na colina onde foi instalada a máquina, que pesa 30 toneladas.

 

"Estamos fazendo um reforço e pretendemos partir com a máquina na madrugada de segunda-feira", disse Sougarret, que confirmou que o conduto descerá 702 metros em linha reta até a galeria da mina na qual estão os mineradores presos, até agora em boas condições de saúde e de ânimo.

 

Confirmou que a tarefa da máquina "Raise Borer Strata 950" será estendida por um período que vai de três a quatro meses.

 

O ministro de Mineração chileno, Laurence Golborne, confirmou que o Governo analisa "até dez" opções diferentes para o resgate, por instruções do presidente Sebastián Piñera, a fim de estabelecer alguma possibilidade de reduzir esse tempo.

 

"O presidente nos pediu para avaliarmos outras opções para resgatar os mineradores. Isto já está sendo analisando e temos cerca de dez opções diferentes", precisou Golborne, que confirmou a iminente perfuração.

 

"Os prazos de resgate são de três a quatro meses, no entanto, estamos olhando outras opções porque mais importante do que os prazos é questão de segurança, não podemos cometer falhas. Se for possível acelerar, a solução será bem-vinda e iremos adotá-la", acrescentou.

 

Com relação aos prazos, o jornal "El Mercurio" revela neste domingo que Piñera comunicou ao colega da Bolívia, Evo Morales, e assegurou a ele que em novembro viajará a La Paz com Carlos Mamani, o minerador boliviano que está entre os soterrados.

 

Entre as alternativas em estudo ganha destaque o alargamento de uma terceira sonda de comunicação com os mineradores, segundo disse Walter Herrera, gerente da empresa proprietária dessa sonda, na quinta-feira à noite.

 

Esse trabalho seria feito por uma máquina Schramm T-130, capaz de perfurar um conduto de 75 centímetros de diâmetro que pode avançar 20 metros por dia e tem alcance de 700 metros de profundidade, explicou Herrera, que acrescentou que esta perfuradora pode ser instalada em cinco dias.

 

A sonda em questão chegou a uma oficina que fica a 300 metros do local em que estão atualmente os mineradores, mas que visitam constantemente durante suas atividades cotidianas.

 

Desde a noite do sábado, os trabalhadores presos dentro da mina começaram a receber equipamentos para melhorar a qualidade de vida no abismo onde estão, a 830 quilômetros ao norte de Santiago, na região do Atacama.

 

Entre os utensílios estão colchões infláveis, que permitirão isolarem-se do solo úmido para dormir, meias soquetes com fios de cobre (para protegê-los de infecções de fungos e bactérias) e xampus e toucas de banho para lavarem o cabelo, além de roupa térmica e toalhas.

 

Em breve, eles receberão um console de PlayStation portátil, jogos de dados (um para cada trabalhador), tocadores de música digital e um projetor de filmes com conexão a um canal de futebol, por meio do qual poderão assistir ao vivo jogos de futebol profissional.

 

O ministro da Saúde, Jaime Mañalich, informou que todos foram vacinados contra tétano e difteria.

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