Ministra boliviana renuncia por causa de violência policial

A ministra boliviana da Defesa pediu demissão nesta segunda-feira em protesto contra a repressão policial a manifestantes que são contra uma rodovia, num fato que aumenta a pressão sobre o presidente Evo Morales pela forma como ele lida com a situação.

CARLOS ALBERTO QUIROGA, REUTERS

26 Setembro 2011 | 20h42

Indígenas bolivianos marcham há mais de um mês pelo interior do país num protesto contra a construção de uma estrada de 300 quilômetros que atravessará a Amazônia.

Na noite de domingo, a polícia atacou com gás lacrimogêneo um acampamento dos manifestantes na região de Yucumo, 300 quilômetros ao norte de La Paz, deixando vários feridos leves e detendo vários líderes do protesto, segundo a mídia local.

A violência policial foi criticada por políticos de oposição, pelo ouvidor do Estado e por vários membros do governo, inclusive a ministra da Defesa, Cecilia Chacón.

"Não é assim! Concordamos em fazer as coisas de um jeito diferente", escreveu Cecilia na sua carta de renúncia, que foi publicada na imprensa local.

Já o ministro das Comunicações, Iván Canelas, disse que a polícia não teve escolha. "Esta marcha foi dissolvida porque havia se tornado fonte de violência", afirmou ele à Reuters.

Morales, primeiro presidente indígena da história boliviana, enfrenta a resistência de grupos nativos minoritários ao projeto da rodovia, que segundo ele melhorará a infraestrutura do país. A obra, de 420 milhões de dólares, será financiada em grande parte pelo Brasil.

A resistência indígena ao projeto põe em xeque o compromisso de Morales com a preservação ambiental, e expõe as divergências dentro do partido dele, o Movimento ao Socialismo.

Alguns parlamentares governistas manifestaram apoio ao protesto. No fim de semana, num gesto conciliador, Morales prometeu que a construção da estrada será submetida a referendo nos departamentos incluídos no seu traçado.

Morales é muito popular entre os indígenas quéchua e aimará que vivem no Altiplano, mas enfrenta forte oposição nas áreas baixas do país, inclusive por parte de indígenas guaranis e dos que vivem no Território Indígena e Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), que será cortado pela estrada.

A repercussão negativa do incidente de domingo pode deixar o governo na defensiva em meio à campanha para uma inédita eleição direta de juízes, em outubro, que são parte das reformas com as quais Morales promete dar mais poder político aos indígenas.

(Reportagem adicional de Eduardo Garcia)

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