Ministra da Defesa argentina depõe sobre contrabando de armas

Notícia surge no dia em que Cristina Kirchner lançará sua candidatura para o cargo máximo do país

Marina Guimarães, Agência Estado

19 Julho 2007 | 15h49

O governo de Néstor Kirchner sofreu nesta quinta-feira, 19, uma nova denúncia de corrupção. A ministra de Defesa, Nilda Garré, foi citada pela Justiça para prestar declarações sobre acusações de contrabando de armas para os Estados Unidos. Em entrevista à imprensa para defender-se, ela disse que não sabe o que é um fuzil. "Eu nem sei o que é um FAL" (fuzil automático leve), disse a ministra de Defesa, que ainda deu opiniões sobre o assunto "como pessoa", não como funcionária do governo e chefe das Forças Armadas do país. Veja Também Comissão pretende cassar juiz que citou ministra argentina Cristina Kirchner lança candidatura A crise que pode prejudicar Cristina   A notícia surge no dia em que a candidata do governo e mulher do atual presidente Néstor Kirchner, Cristina Fernández de Kirchner, lançará oficialmente sua candidatura para o cargo máximo do país vizinho.O juiz federal Guillermo Tiscornia teria citado a ministra, segundo versões da imprensa local, como acusada de contrabando agravado de fuzis aos Estados Unidos. "Não tenho nada a ver, não pode haver nenhuma responsabilidade minha, nem supor uma atitude dolosa de minha parte vinculada ao contrabando de FAL e FAP (fuzil automático pesado). Isso é quase risível", argumentou Garré. Ela também disse que está à disposição da Justiça para esclarecer o caso que está sendo investigado pela Justiça desde fevereiro.A causa foi iniciada quando a Alfândega travou as exportações de 6.700 peças de fuzis que iam ser vendidos por apenas U$S 2,6 mil à empresa JLD Enterprises Inc., do argentino José Luis Díaz, com sede em Connecticut, Estados Unidos. Além da ministra, a Justiça envolveu no caso o ex-diretor geral de Fabricações Militares Marcelo Bellisi, o funcionário dessa fábrica militar Arturo Huergo, a despachante da aduana Laura Andolfi e os integrantes da Comissão Nacional de Controle de Exportações Sensíveis e de Material Bélico.Garré tentou marcar diferença entre ela e sua ex-colega Felisa Miceli, que demorou quase 15 dias para dar explicações públicas sobre as acusações de corrupção no caso do "banheirogate" (a bolsa com dinheiro encontrada no banheiro do gabinete de Miceli). As explicações da ex-ministra da Economia não convenceram nem a opinião pública nem à Justiça e ela acabou perdendo o cargo. Agora, Garré se apressou em dar uma entrevista no mesmo dia em que saíram publicadas na imprensa as denúncias que envolvem seu nome. "Não vou me complicar nem tenho nada que esconder", disse a ministra.Ela também afirmou temer "que as acusações contra funcionários do governo sejam armadas, por causa do momento especial do país", em alusão às eleições presidenciais de outubro e a uma suposta "campanha suja", como denunciou o presidente Néstor Kirchner, recentemente. Para defender-se, no entanto, Garré acabou levantando suspeitas sobre seu colega Julio De Vido, ministro de Planejamento Federal, que já foi apontado como suspeito de superfaturamento de obras no caso denominado Skanska, que também está sendo investigado pela Justiça."Poderia haver um subfaturamento de Fabricações Militares, encarregada de comprar as armas, mas isso excede minhas competências como ministra", argumentou. Ela explicou que o organismo está sob a órbita do Ministério de Planejamento Federal e Obras Públicas.

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