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Ministra peruana renuncia e Nicarágua dá asilo a líder indígena

Carmen Vildoso se demitiu por não concordar com forma como governo García tratou confrontos com índios

Agência Estado e Associated Press,

09 de junho de 2009 | 18h53

A ministra peruana da Mulher, Carmen Vildoso, apresentou sua renúncia ao presidente Alan García na noite de segunda-feira por desacordo com relação à forma como o governo lidou com os brutais confrontos entre policiais e indígenas nos quais mais de 30 pessoas morreram. Nesta terça-feira, 9, o governo da Nicarágua informou que concedeu asilo político ao líder indígena Alberto Pizango, que é indiciado pelo governo por promover confrontos que deixaram 32 mortos na Amazônia peruana.

 

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"A ministra Carmen Vildoso apresentou sua carta de renúncia irrevogável ao presidente Alan García na noite de segunda-feira por discordar da formar como o governo manejou o conflito com os indígenas amazônicos e o enfrentamento de sexta-feira", disse nesta terça-feira à agência Associated Press uma fonte no alto escalão do Ministério da Mulher.

 

Enquanto isso, o governo da Nicarágua informou que "tendo em conta o espírito solidário que tem o presidente Daniel Ortega com os perseguidos políticos ou que se supõe sejam perseguidos políticos, foi outorgado asilo a Pizango", disse em coletiva de imprensa o embaixador da Nicarágua no Peru, Tomás Borge Martínez. O embaixador deu as declarações na capital nicaraguense.

 

O governo peruano responsabiliza Alberto Pizango por incitar os indígenas e ter influído para que os confrontos ocorressem. A saída de Vildoso é a primeira desde a posse do segundo gabinete ministerial chefiado pelo primeiro-ministro Yehude Simon, há 11 meses.

 

A fonte acrescentou, no entanto, que o presidente Alan García não aceitou a renúncia da ministra. Na noite de segunda-feira, indígenas amazônicos mantinham bloqueada a rodovia que une as cidades de Tarapoto e Yurimaguas, na região de San Martín, mas negociações com a Defensoria do Povo garantiram que a estrada seria desbloqueada por quatro horas nesta terça-feira para permitir a passagem de alimentos e combustíveis.

 

Na última sexta-feira, a Amazônia peruana foi palco da morte de 23 policiais, cinco indígenas e quatro civis, segundo informações oficiais. Representantes indígenas afirmam que mais de 20 nativos morreram nos confrontos ocorridos a mais de 700 quilômetros de Lima.

 

Os protestos, qualificados pelo governo como "barbárie", parecem em vias de se intensificar com uma mobilização nacional de povos indígenas prevista para a quinta-feira, à qual se uniriam sindicatos, organizações políticas de esquerda e outros grupos. Os nativos exigem a revogação de decretos governamentais que enfraqueceriam seus direitos sobre terras ancestrais ao permitir explorações de petróleo e gás por companhias transnacionais.

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