Ministro da Defesa do Equador renuncia após crise sobre Farc

Sandoval era envolvido na crise diplomática provocada pela violação do território equatoriano pela Colômbia

Associated Press e Efe,

09 de abril de 2008 | 11h13

O ministro da Defesa do Equador, Wellington Sandoval, anunciou que deixará nesta quarta-feira, 9. Ainda não há informações sobre o motivo da saída, mas ele era envolvido nos polêmicos episódios sobre a crise diplomática provocada pela incursão colombiana em território equatoriano para atacar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Ainda não está claro que ele Sandoval foi afastado pelo presidente Rafael Correa ou apresentou seu afastamento.   Veja também: Por dentro das Farc  Entenda a crise  Histórico dos conflitos armados na região     O vice-ministro da Defesa, Miguel Carvajal, confirmou a demissão, sem dar mais detalhes, e afirmou que Sandoval será substituído pelo jornalista e escritor Javier Ponce, que já desempenhava a função de secretário pessoal do presidente Rafael Correa.   O militar viu-se criticado recentemente devido à sua suposta falta de liderança dentro das Forças Armadas. Na semana passada, Correa acusou a CIA (agência de inteligência norte-americana) de manipular agências de espionagem do Equador. Correa, de esquerda e um ex-ministro da Economia que tomou posse há mais de um ano, criticou os militares e a polícia outras vezes por não fornecerem em tempo informações adequadas durante o conflito diplomático deflagrado por uma ação militar realizada pela Colômbia em território equatoriano, no mês passado.   Na terça-feira, os principais comandantes das Forças Armadas do Equador requisitaram um encontro com o presidente a fim de discutir as críticas e, assim, "evitar colocar em risco a segurança e a estabilidade do país".   O pedido da audiência se dá em um momento de duras críticas ao alto comando militar equatoriano, por sua atuação no caso de violação territorial colombiana ao Equador, na operação contra as Farc em 1º de março contra um acampamento da guerrilha em território equatoriano, quando morreram pelo menos 26 pessoas, dentre as quais o número dois do grupo, conhecido como Raúl Reyes, e o equatoriano Franklin Aisalla, assim como um militar colombiano.   Recentemente, Correa disse que a CIA controlava algumas das agências de inteligência do Equador, apropriando-se de informações confidenciais obtidas dentro do território equatoriano e repassando-as às forças colombianas.   Os militares sempre desempenharam um papel importante no cenário político freqüentemente instável do Equador e deixaram de apoiar os três últimos presidentes eleitos no país antes de Correa. Todos os três acabaram depostos por ações do Congresso ou por distúrbios de rua. Mas os altos índices de popularidade do atual dirigente e os planos de reformar as Forças Armadas devem protegê-lo de qualquer tipo de retaliação militar, afirmam analistas.   As Forças Armadas representam uma das instituições em que os equatorianos mais depositam confiança e possuem participação em várias empresas de grande porte de setores que se estendem da aviação à criação de camarões.

Tudo o que sabemos sobre:
EquadorRafael Correa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.