Ministro da Economia do Equador renuncia após intervenção em TVs

O ministro da Economia do Equador, FaustoOrtiz, renunciou na terça-feira depois do governo ter anunciadouma intervenção em duas estações de TV, devido a dívidas destescanais com o Estado. "Sim, ele renunciou. Estamos tirando suas coisas dogabinete", disse uma porta-voz do Ministério à Reuters. Segundo a mídia local, Ortiz não concordou com aintervenção dos canais, ocorrida na terça-feira. A programaçãodos dois, por vezes, criticava o governo. O governo mandou a polícia às sedes dos canais, tirou aprogramação do ar e designou um novo chefe de reportagem parapelo menos um dos canais, disseram autoridades e testemunhas.Wilma Salgado, ex-gerente da Agência de Garantia de Depósitos(AGD), órgão responsável pela intervenção nas estações de TV,foi nomeada a nova ministra da Economia pelo presidente RafaelCorrea. A AGD quer saber se as estações de TV Gamavisión e TCTelevisión são de propriedade do grupo Isaías, responsável pelaquebra de um banco há dez anos. A intervenção foi condenada pelos equatorianos, quedesconfiam de que o presidente queira limitar a liberdade deexpressão. Com isso, os títulos equatorianos tiveram a piorqueda desde meados de junho. Desde que assumiu o poder, em janeiro do ano passado,Correa prometeu renegociar a dívida externa e dar ao Estadomaior poder sobre a economia. A AGD também interveio nas instalações de 193 outrasempresas, entre elas um canal de TV a cabo, além de firmasagrícolas e petrolíferas, para saber se também pertencem aogrupo Isaías. O grupo Isaías era um dos mais importantes dopaís até a crise bancária de 1998, quando faliu o Filabanco,uma das unidades do grupo. A AGD exigia que as empresas fossem vendidas para garantiro pagamento das dívidas do banco. O presidente da Gamavisón, Alvaro Dassum, disse ajornalistas que a sua estação não pertence ao grupo Isaías. "O governo quer calar os meios de comunicação que decidiramdizer a verdade", afirmou Dassum, referindo-se às frequentescríticas que o presidente equatoriano faz aos meios decomunicação que criticam seu governo. Os dois canais não tinham conteúdo opositor forte -- oforte da programação eram as novelas. A Superintendência de Telecomunicações também fechou arádio Sucre, que não cumpriu requisitos para a renovação dalicença. Correa criticou os diretores da rádio por convocaremuma marcha contra a violência em Guayaquil, cidade ondefuncionava. (Por Alexandra Valencia e Alonso Soto)

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