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Ministro diz que Lugo não pode ser julgado por paternidade

Presidente paraguaio, ex-bispo, 'deve ser avaliado por gestão e honestidade'; escândalo abre crise política

Efe,

23 de abril de 2009 | 16h23

O ministro do Interior do Paraguai, Rafael Filizzola, disse nesta quinta-feira, 23, que o presidente Fernando Lugo não pode ser submetido a um julgamento político que o leve a um impeachment devido ao escândalo causado pelas reivindicações de paternidade que enfrenta. "Ele tem que ser avaliado por sua gestão e por sua honestidade", declarou o ministro sobre Lugo, que só após a abertura de um processo, há duas semanas, reconheceu ser pai de um menino de quase dois anos, concebido enquanto ele ainda era bispo, com uma mulher com quem se relacionava desde que ela era menor de idade.

 

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"A Constituição estabelece claramente quais são as razões pelas quais se pode processar um presidente e uma questão 'pessoal' não pode ser uma causa", afirmou Filizzola aos jornalistas. O presidente enfrenta dois novos casos de mulheres que afirmam ter tido um filho com ele, depois de reconhecer como seu filho um menino de quase dois anos, fruto de uma relação com uma mulher de 26 anos, natural de San Pedro, onde ele foi bispo por mais de uma década.

 

Fernando Lugo só assumiu este caso após dois advogados entrarem com pedido de reconhecimento de paternidade em nome de Viviana, há duas semanas. O ministro do Interior paraguaio disse ainda que Lugo não deve ser punido porque outros tiveram casos parecidos e também não foram. "Não conhece no mundo um chefe de Estado que por questões pessoais tenha feito sido submetido a um julgamento político e, sim, houve muitíssimos casos semelhantes (aos de Lugo) em alguns países", afirmou, sem, no entanto, citar nenhum exemplo concreto.

 

Filizzola usou os governos anteriores como desculpa para evitar que o presidente enfrente um eventual julgamento político motivado por ele ter escondido o caso que teve com Viviana Carillo enquanto ainda era bispo e desde que ela era adolescente. "O país não está bem e este Governo precisa de tempo para consertar uma situação que é produto de décadas de desgoverno e de latrocínio", alegou o ministro.

 

A imprensa paraguaia especula sobre a possibilidade de a oposição promover um processo de impeachment contra Lugo. Segundo os meios de comunicação do Paraguai, esta iniciativa pode ganhar grande força se for apoiada pelo setor do governista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) que se considera marginalizado do poder. Esta fração do PLRA, suporte político de Lugo no Congresso, é liderada pelo vice-presidente do país, Federico Franco, que mantém permanentes atritos com o presidente.

 

Ainda nesta quinta, a Justiça do Paraguai ordenou que Lugo dê seu sobrenome à criança de quase dois anos que reconheceu como filho, e que foi fruto de uma relação que o líder teve com uma jovem quando ainda era bispo. Fontes judiciais informaram que a juíza Judith Gauto ordenou ao Registro Civil que Guillermo Armindo, filho de Viviana Carrillo, leve Lugo como sobrenome do pai, dentro do processo promovido pelo governante após admitir, no último dia 13, a paternidade.

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