Ministro nega fraude em eleição na Argentina

Aníbal Fernández rebate denúncia de que faltaram cédulas de alguns candidatos na cabine de votação

Marina Guimarães, da Agência Estado,

28 de outubro de 2007 | 20h57

O ministro do Interior, Aníbal Fernández, negou que a votação na Argentina tenha sofrido fraude por falta de cédulas eleitorais. Segundo ele, se faltaram cédulas, "a responsabilidade é de cada partido que tem a tarefa de repor as cédulas quando vão terminando". Em entrevista coletiva à imprensa, no centro de apuração dos votos, na sede dos Correios Argentinos, Fernández afirmou que "a reposição e o controle das cédulas é de responsabilidade dos fiscais e dos delegados dos partidos".   Veja também:   Especial: as eleições argentinas  Boca-de-urna aponta vitória de Cristina Kirchner no 1º turno Eleição argentina começa com atrasos e 'estresse' Encerramento da votação na Argentina é adiado Pela 1ª vez na história, presos vão às urnas na Argentina Argentinos votam para consagrar Kirchners Cristina: 'Não sou Hillary nem Evita' Kirchner seduz interior empobrecido   Em sua avaliação, as eleições gerais deste domingo "são exemplares e uma das mais cristalinas da história da Argentina". Fernández informou que os primeiros resultados da apuração dos votos sairão às 21 horas (22 horas de Brasília), apesar do atraso no fechamento da votação, que só terminou às 19 horas (20 horas de Brasília). Apesar das declarações do ministro, o clima é de tensão entre os principais candidatos presidenciais, devido à grande quantidade de denúncias por falta de cédulas eleitorais.   Pelo sistema eleitoral argentino, quando o eleitor entra na cabine para votar, ele encontra inúmeras cédulas dos candidatos dos diferentes partidos. As denúncias que ocorreram nesta domingo foram de que as cédulas dos candidatos da oposição desapareceram das cabines, mesmo após as várias reposições por parte dos delegados dos partidos.   Sete dos 14 candidatos formalizaram denúncias de "furto sistemático de cédulas" junto à Câmara Nacional Eleitoral. Os candidatos que fizeram as denúncias foram Elisa Carrió (Coalizão Cívica), Roberto Lavagna (UNA), Ricardo López Murphy (PRO), Fernando Pino Solanas (Projeto Sul), Néstor Pitrola (PO), Jorge Sobisch (Movimento Províncias Unidas) e Alberto Rodríguez Saá (Frejuli).   "Em muitos lugares foi registrado a falta de cédulas, a reposição acontecia e os eleitores voltavam a denunciar a falta de cédulas. As reservas esgotaram", denunciou a chefe da campanha da Coalizão Cívica e candidata a deputada, Patrícia Bullrich. Ela informou que solicitou à Justiça Eleitoral que "se abra uma linha 0800 para que os eleitores possam denunciar todas as irregularidades que existiram". Foi registrada falta de cédulas nas províncias de Mendoza, Catamarca, Chubut, Tucumán Córdoba.   Denúncias a ONG   A organização não-governamental Fundação Poder Ciudadano informou que recebeu "160 ligações telefônicas, em sua grande maioria de eleitores da Província de Buenos Aires, que denunciavam a falta de cédulas". Além disso, o horário de encerramento da votação foi prolongado para até as 19 horas (20 horas de Brasília) devido ao atraso na abertura de centenas mesas na manhã deste domingo, 28.   De acordo com as ligações, as cédulas que faltaram nas cabines são dos candidatos presidenciais da Coalizão Cívica, Elisa Carrió (38%), da Frente Justiça, União e Liberdade, Alberto Rodriguez Saá (21%), do Projeto Sul, Pino Solanas (11%), de UNA, Roberto Lavagna (3,5%) e de MPU, Jorge Sobisch (2,5%), além do candidato a governador Francisco de Narváez (14%).   Muitas das pessoas que se comunicaram com a Poder Ciudadano se queixaram que mesmo com a falta de cédula de seu candidato, foram obrigadas a votar em outro porque os mesários já tinham carimbado seus documentos. A candidata Elisa Carrió solicitou à Justiça Eleitoral a abertura de um canal legal para que seus eleitores possam registrar denúncia formal de que foram obrigados a votar em outro candidato, devido à falta de cédulas.   A diretora Executiva de Poder Ciudadano, Laura Alonso, afirmou que as irregularidades sobre as cédulas "não mudarão o resultado final da eleição presidencial, mas é um dever das autoridades enfrentar o problema de que o sistema atual tem deficiências que precisão ser corrigidas. Só assim poderemos ter um sistema sólido e confiável".  

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