Ministro renuncia após Equador confiscar canais de TV

Governo equatoriano ocupa duas emissoras privadas para pagar dívidas de banco sob investigação financeira

Reuters e Associated Press

08 de julho de 2008 | 11h04

O ministro da Economia do Equador, Fausto Ortiz, renunciou nesta terça-feira, 8, depois do governo ter anunciado uma intervenção em duas estações de TV, devido a dívidas destes canais com o Estado. O governo equatoriano confiscou duas emissoras de televisão em Quito e Guayaquil, sob a justificativa de cobrar dívidas de um banco fechado, cujos principais acionistas seriam os donos desses veículos de comunicação. "Sim, ele renunciou. Estamos tirando suas coisas do gabinete", disse uma porta-voz do ministério à Reuters. Segundo a mídia local, Ortiz não concordou com a intervenção dos canais, ocorrida na terça-feira. A programação dos dois, por vezes, criticava o governo. O governo mandou a polícia às sedes dos canais, tirou a programação do ar e designou um novo chefe de reportagem para pelo menos um dos canais, disseram autoridades e testemunhas.   O presidente do canal estatal, Enrique Arosemena, notificou o confisco aos diretores da TC Televisión. As instalações desse canal nas duas cidades seguem cercadas por um forte contingente policial. Os empregados, pegos de surpresa pela decisão, alguns deles ainda na empresa, lançavam eventuais gritos contra a medida. A apresentadora da Gamavisión Valeria Mena abriu o noticiário afirmando: "iniciamos comunicando-lhes a ingrata notícia de que esse canal foi confiscado pela Agência de Garantia de Depósitos". A agência é uma instituição estatal cuja missão é recuperar os fundos dos correntistas de 21 bancos fechados ou quebrados no país no fim da década de 1990. Nessa época, houve uma crise econômica que colocou o país à beira da hiperinflação   O noticiário não durou mais de cinco minutos. Logo depois, a emissora passou a transmitir um programa humorístico e novelas, em meio aos quais aparecia em alguns momentos a mensagem "censurados por Correa", em alusão ao presidente Rafael Correa. A medida foi imediatamente condenada pelos equatorianos, que desconfiam de que o presidente Correa queira limitar a liberdade de expressão. No poder desde o ano passado, Correa ataca a mídia com frequência e promete eliminar o que ele chama de "elites corruptas".   Falando das instalações da TC Televisión, o gerente da AGD, Carlos Bravo, assegurou aos empregados que a estabilidade deles no trabalho "estava garantida". A ação de confisco estatal ocorreu porque se considera que os dois canais pertencem aos ex-banqueiros William e Roberto Isaías Dassum. Eles são acusados de malversação no extinto banco Filanbanco, que estava sob a administração dos irmãos. Os acusados deixaram o país em 2000 e vivem atualmente em Miami. O empresário Estéfano Isaías, irmão dos ex-banqueiros, apresentou-se como proprietário da TC Televisión. Alvaro Dassum afirmou que possuía a Gamavisión. Os dois negaram qualquer relação empresarial com os acusados.   O presidente da Gamavisión, Alvaro Dassum, disse: "Queremos denunciar que nesta madrugada um piquete de policiais forçou a segurança da Gamavisión em Quito e ocupou suas instalações, os funcionários da AGD a mando de Robert Andrade nos entregaram uma resolução administrativa informando sobre o confisco dos bens desse meio". "Se pretende cobrar supostas dívidas do Filanbanco com a AGD - a Gamavisión não tem nada a ver com o Filanbanco", garantiu Dassum.   Os dois canais mantinham a transmissão de programas estrangeiros gravados no horário em que normalmente são exibidos telejornais. Após uma reunião, o representante dos trabalhadores da TC, Fausto Valdiviezo, informou à imprensa que foi designado como administrador Enrique Arosemena, e José Toledo como vice-presidente de notícias. Segundo Valdiviezo, ficou combinado que será mantida a programação "regular" e haverá uma reunião com os jornalistas para discutir eventuais mudanças editorais. "Eu imagino que haverá mudanças, obviamente este sendo (agora) um canal estatal", avaliou. Matéria atualizada às 11h50.

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