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Missa campal e encontro com Fidel fecham visita do papa a Cuba

Pontífice deve falar para milhares em praça onde multidões escutam inflamados discursos de Fidel

PHILI, REUTERS

28 Março 2012 | 09h21

HAVANA - O papa Bento 16 celebra nesta quarta-feira, 28, uma missa campal na praça da Revolução, em Havana, encerrando uma visita que começou com um ataque ao comunismo e deve terminar num encontro com Fidel Castro.

O pontífice deve falar para centenas de milhares de pessoas, talvez mais, na enorme praça onde multidões costumavam se aglomerar durante várias horas para ouvir os inflamados discursos de Fidel, de 84 anos, afastado do poder desde 2006.

A praça, sem árvores, é dominada por imagens gigantescas dos revolucionários Ernesto "Che" Guevara e Camilo Cienfuegos, instaladas nos prédios ao seu redor.

O papa deve repetir os apelos por mudanças em Cuba, que vêm pontuando suas declarações desde o desembarque, na segunda-feira, em Santiago de Cuba, no leste da ilha.

Bento 16 tem falado sobre a necessidade de reconciliação e abertura, e defendendo o papel da Igreja como anteparo contra um "trauma" ou contra distúrbios sociais.

Em conversa na terça-feira com o presidente Raúl Castro, irmão de Fidel, ele pediu um papel maior para a Igreja na ilha, e solicitou ao governo comunista que faça da Sexta-Feira Santa um feriado nacional.

Em 1998, antes da histórica visita do papa João Paulo 2º ao país, Fidel reabilitou o feriado do Natal.

O Vaticano disse ter feito também várias "solicitações humanitárias", as quais não detalhou, mas que possivelmente têm a ver com presos políticos ou com a situação do norte-americano Alan Gross, que cumpre pena de 15 anos de prisão em Cuba por instalar ilegalmente redes de Internet.

Em artigo publicado na terça-feira pela imprensa estatal, Fidel disse que vai ter um breve encontro com o pontífice alemão antes de o líder dos 1,2 bilhão de católicos voltar a Roma.

"Com prazer, vou saudar sua excelência, o papa Bento 16, como fiz com João Paulo 2º", escreveu Fidel, acrescentando que decidiu solicitar "alguns minutos do ocupadíssimo tempo dele quando soube pela boca do nosso chanceler Bruno Rodríguez que um contato modesto e simples agradaria (ao papa)".

A reunião dos dois octogenários com visões de mundo radicalmente diferentes pode ofuscar uma visita que tem sido mais agitada do que se previa.

Num momento em que as relações entre Igreja e Estado estão no seu melhor momento desde a Revolução de 1959, Bento 16 não se intimidou em cutucar o regime comunista em alguns pontos sensíveis.

No voo que o levou ao México, etapa anterior de sua viagem, na sexta-feira, o papa disse que o comunismo "não corresponde à realidade" e que Cuba precisa de um novo modelo econômico.

Ao chegar à ilha, ele fez referências veladas aos dissidentes, exilados e presos políticos cubanos, e pediu à padroeira do país, a Virgem da Caridade de El Cobre, que "guie o futuro dessa adorada nação para os caminhos da justiça, paz, liberdade e reconciliação".

Ele fez elogios à melhoria nas relações entre Igreja e Estado, mas afirmou que "restam muitas áreas nas quais um maior progresso pode e deve ser feito, especialmente com relação à indispensável contribuição pública que a religião é chamada a fazer na vida da sociedade".

Sua missão de segunda-feira à noite em Santiago começou com um homem na plateia gritando "abaixo o comunismo" e sendo retirado por seguranças.

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