Missão francesa chega à Colômbia para atender Betancourt

Uma equipe médica da França chegou àColômbia na quinta-feira para tentar tratar da refém IngridBetancourt, a ex-candidata presidencial colombiana que estariagravemente doente após passar seis anos na selva, sequestradapor guerrilheiros. Um avião com a equipe médica a bordo aterrissou namadrugada desta quinta-feira em uma base militar da capitalcolombiana, Bogotá, afirmou um oficial da Força Aérea do país. "Solicitaram autorização para chegar a Bogotá e (osocupantes do avião) se encontram com todas as nossasfacilidades na base aérea de Catam", disse o comandante dasForças Militares da Colômbia, general Freddy Padilla de León. "A aeronave está perfeitamente apta, do ponto de vista deseu abastecimento, a operar nos lugares para onde eles queiramir, desde que solicitem previamente a permissãocorrespondente", acrescentou o general. Caso obtenha sucesso, essa seria a primeira missão a mantercontato direto com Betancourt em anos. A ex-candidata àPresidência da Colômbia, que também tem nacionalidade francesa,é o refém mais importante dentre os vários mantidos pelaguerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O presidente colombiano, Alvaro Uribe, afirmou quesuspenderá as operações militares na área em que a equipemédica atenderia Betancourt. Mas não se sabe ainda se o governofrancês conseguiu entrar em contato com a guerrilha e convenceuo grupo armado a permitir a missão. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fez da libertaçãode Betancourt -- também ex-senadora, capturada em 2002 --, umadas prioridades de sua área de política externa. Mas, atéagora, poucos detalhes foram revelados a respeito da missão. "Recebi algumas notícias (sobre a missão médica), mas emvista da delicadeza da questão não posso revelar nada ainda",afirmou Sarkozy durante uma visita a Bucareste. As Farc, o grupo armado mais antigo da América Latina, vemperdendo força em virtude das operações militares lançadas porUribe com o apoio dos Estados Unidos. E o nível de violência naColômbia, palco de um conflito interno iniciado 40 anos,diminuiu como consequência de os guerrilheiros terem buscadorefúgio em áreas mais afastadas. No entanto, os esforços para atingir um acordo amplogarantindo a libertação de 40 reféns importantes em troca decombatentes rebeldes presos encontram-se paralisados devido àexigência das Farc de que Uribe retire seus militares de umagrande área, facilitando assim as negociações. O presidente, cujo pai morreu em uma tentativa frustrada desequestro realizada pelas Farc, 20 anos atrás, recusa-se aceder, afirmando que uma manobra do tipo permitiria às Farc sereorganizarem. Uribe propôs criar uma área menor de negociaçãosob a supervisão de observadores internacionais. A Cruz Vermelha, que participou de libertações anterioresde rebeldes, disse não ter sido contatada pelas Farc a respeitoda iniciativa médica da França. Os reféns libertados nos últimos meses pelos guerrilheirosem meio a acordos mediados pelo presidente da Venezuela, HugoChávez, dizem que Betancourt se encontra gravemente doente esofre de hepatite B. Imagens de um vídeo feito pelos rebeldes e divulgadas noano passado mostram-na bastante magra e enfraquecida, dentro deum acampamento de uma área de mata.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.