'Mono Jojoy será o próximo', diz assassino de líder das Farc

Segundo Rojas, as Farc estão divididas após morte de dois de seus maiores líderes, em episódio de traição

Agências Internacionais

10 de março de 2008 | 22h42

Alias 'Rojas', membro das Farc cujo verdadeiro nome é Pablo Montoya, disse em entrevista ao jornal El tiempo, nesta segunda-feira, 10, que "o próximo a cair será 'Mono Jojoy'", depois de ter confessado matar Iván Ríos, líder das Farc de quem fazia a segurança.  O rebelde se refere ao assassinato de dois líderes rebeldes da Colômbia em menos de uma semana, que pôs fim a quatro décadas de fracassos nos esforços realizados pelo governo colombiano para atingir a liderança máxima da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).    Veja também:Íntegra da entrevisa de Rojos para o El Tiempo Ministro defende ligação da Colômbia com as Farc Por dentro das Farc Entenda a crise na América Latina  Histórico dos conflitos armados na região  Rojas afirma ainda que após as mortes de Reyes e Ríos, "dois fatos que em 60 anos de guerrilha ainda não tinham acontecido", as Farc estão divididas em duas. "Eu sei o que estou dizendo (...) eu manejo essa rede", acrescentou o guerrilheiro. O guerrilheiro disse que houve traição "confirmada e demonstrada" contra os membros do secretariado das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e que ainda vão acontecer outros casos de guerrilheiros que entregam seus chefes. Ivan Ríos tinha pedido a Rojas que cuidasse pessoalmente de sua segurança. O guerrilheiro, que o qualificou como "um radical", afirma ter sido responsável pela morte de Ríos. Segundo o Ministério da Defesa da Colômbia, o rebelde disse que tomou a decisão de matar o chefe porque queria aliviar a pressão a que estavam sendo submetidos pelas tropas, supostamente atrás de uma pista de Ríos e seu comando rebelde desde meados de fevereiro. Recompensa Nesta segunda-feira, 10, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, disse que espera uma "definição jurídica" que deverá estabelecer se Rojas - que, além de Ríos, matou sua namorada - deve receber a recompensa oferecida pelo chefe rebelde. Rojas disse, em entrevista ao El Tiempo esperar o pagamento da grande recompensa de US$ 2,5 milhões oferecida pelo Estado colombiano. Ele pede o benefício em troca de informações sobre comandantes insurgentes, enquanto advogados e juristas debatem se ele deve ou não levar o montante.  "A política de recompensas sempre foi uma política do Governo, sempre se honrou. Neste caso particular, precisamos essa definição jurídica, porque o Governo estimula a informação que permita que a Polícia encontre os delinqüentes, graças à informação que fornecem as pessoas que pedem com razão as recompensas", assinalou Uribe. Rojas se entregou ao Exército na quinta-feira, 28, e, para provar que havia matado seu chefe e que realmente se tratava do comandante insurgente, cortou e entregou aos militares a mão direita de Ríos. Uribe ressaltou que os informantes que cooperam com as autoridades cumpriram a política de recompensas. No entanto, disse que no caso de "Ivan Ríos", membro do secretariado das Farc (máxima hierarquia dessa guerrilha), "um Estado de direito não pode estimular massacres". Detalhes Rojas se recusou a dar detalhes sobre como matou seu chefe - cujo cadáver exibido pelas autoridades no fim da semana mostra ao menos um tiro na face -, e o que ocorreu dentro das fileiras do grupo que comandava Ríos até sua morte. Advogados e juristas consultados indicaram que o Estado enfrenta um dilema em relação ao pagamento da recompensa, equivalente a US$ 2,6 milhões (R$ 4,38 milhões) - oferecida pela polícia e pelo Ministério da Defesa por informação, sem mencionar a palavra morte, em troca dos chefes rebeldes - a Rojas porque, se paga, "sai do âmbito do Estado de Direito, e se não a pagar cai o prestígio da recompensa", avaliou León Valencia, analista político e ex-rebelde do já pacificado grupo Movimento 19 de Abril (M-19). 

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