Morales buscará pacto político antes de referendo na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales,tentará firmar um pacto político e econômico amplo com aoposição conservadora abrigada nos governos departamentais dopaís antes de um referendo de confirmação de mandato marcadopara o dia 10 de agosto, afirmou na terça-feira um importantemembro do governo. Mas o eventual acordo não significará necessariamente asuspensão do processo confirmatório dos mandatos do presidentee de nove governadores de Departamento, processo esse iniciadona segunda-feira, avisou o vice-ministro de coordenaçãogovernamental, Héctor Arce. O acordo permitiria a Morales -- um admirador do dirigentevenezuelano, Hugo Chávez -- cumprir sua promessa de 'refundar'o país com uma Constituição que dê mais poder à maioriaindígena e estatize a economia sem deixar de, ao mesmo tempo,atender às demandas por autonomia feitas pela oposição emvários Departamentos. O referendo confirmatório apareceu em cena na quinta-feirapassada por meio de uma decisão inesperada do Senado,controlado pela oposição, justamente quando Morales, o primeiropresidente indígena do país, convocava os governadores aodiálogo. Alguns desses governadores levam adiante processos deautonomia responsáveis por impedir a aprovação de uma novaConstituição "plurinacional". Arce, um dos mais fiéis aliados do presidente, disse àrádio Erbol que o pacto foi proposto na segunda-feira a cincogovernadores que se reuniram com Morales, em um encontro doqual participaram a Organização dos Estados Americanos (OEA) eos governos da Argentina, do Brasil e da Colômbia. O funcionário confirmou que os quatro governadores queconvocaram referendos para dar maior autonomia a seusDepartamentos não participaram do encontro com Morales, masobservou que seriam informados da proposta e poderiam aderir aela a 'qualquer momento'. "No entanto, um acordo não substituirá o referendoconfirmatório. No caso de haver um acordo, o referendo dará aopovo a oportunidade de ratificar essa disposição ao diálogo",afirmou Arce. O pacto proposto pelo governo abarca todos os temasdefendidos pelos quatro governadores autonomistas, os quaisafirmaram por intermédio de porta-vozes que se reunirão nospróximos dias a fim de decidir sobre sua participação nodiálogo e tomar uma posição a respeito do referendoconfirmatório. De outro lado, os cinco governadores que se reuniram comMorales -- dois oposicionistas e três governistas -- disseramestar prontos para submeter-se ao referendo, apesar dequestionarem as regras do processo. Por essas regras, Morales ou qualquer um dos novegovernadores perderá seu mandato se receber um número de votoscontrários maior que o número e a porcentagem de votos com quefoi eleito em dezembro de 2005.

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