Morales conclama a defesa contra 'golpe civil' na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales,conclamou na sexta-feira a população a defender a democraciacontra um "golpe de Estado civil" que estaria sendo realizadopela oposição de direita. Em suas primeiras declarações após uma semana de viagem aLíbia e Irã, Morales descartou medidas extraordinárias contraos protestos da oposição e disse confiar "na consciência dopovo" para seguir adiante com suas reformas socialistas. "Como não lhes obedecem as Forças Armadas para um golpemilitar, buscam um golpe civil contra o Estado", disse Moralessobre os grupos conservadores, especialmente de Santa Cruz(leste), que impedem a aprovação de uma nova Constituição eexigem autonomia para suas regiões. "No fundo a direita tenta sobreviver com violência, isso éo que está acontecendo, e por isso [quero] alertar o povoboliviano para defender a democracia", disse ele, criticando aocupação de prédios públicos e os apelos golpistas feitos pelaoposição aos quartéis. Morales, cujo mandato foi amplamente ratificado num recentereferendo, disse que os protestos -- como os bloqueiosrodoviários mantidos há quase duas semanas na região do Chaco-- são uma "aberta conspiração [contra] o Estado". "Se nãoestão de acordo com a nova Constituição, que o expressem nasurnas, e não com violência." A nova Carta foi aprovada em dezembro por uma AssembléiaConstituinte boicotada pela direita, e ainda precisa sersubmetida a referendo. Na semana passada, antes de viajar, o presidente sancionoudecreto marcando a consulta para 7 de dezembro, mas a CorteNacional Eleitoral exigiu que a data seja submetida aoCongresso. De acordo com Morales, "o que está em debate profundo sãodois modelos econômicos, entre os neoliberais, que com essaclasse e violência querem retornar ao governo, e o povo queapóia este processo de mudança". A nova Constituição, uma promessa de Morales ao ser eleitoem 2006, dá mais poderes à maioria indígena e amplia aparticipação do Estado na economia. Morales, primeiro indígena a governar a Bolívia, acaba decompletar metade do seu mandato. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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