Morales convoca diálogo com governadores para 12 de maio

O presidente da Bolívia, Evo Morales,marcou para 12 de maio um esperado diálogo com os governadoresdos nove departamentos do país, em uma tentativa de destravaros processos de mudança constitucional e deautonomia que ocorrem no país. Morales fez o anúncio na quinta-feira em Santa Cruz, quatrodias depois de os residentes desse Departamento aprovarem umpolêmico referendo sobre um estatuto de autonomia que desafiaos poderes nacionais e a "revolução democrática e cultural"impulsionada por Morales. O presidente disse que decidiu "convocar urgentemente osnove governadores para a segunda-feira da próxima semana e comeles trabalhar pela autonomia para os povos, uma autonomia paraas maiorias nacionais". Morales, que como seu aliado venezuelano Hugo Chávezpromove mudanças de linha socialista no empobrecido paíssul-americano, convocou o diálogo depois de ter lançado durascríticas ao referendo de Santa Cruz, que definiu como"separatista, ilegal e oligárquico". A aposta do presidente é que o diálogo seja a via paraconciliar o melhor caminho que os leve a "uma autonomia comjustiça social, com igualdade, com união, pois somos umafamília, somos a família boliviana". "Esta família boliviana não pode ser dividida (...) aautonomia deve ser para todos os bolivianos e bolivianas, comjustiça social, e não autonomia para grupos", acrescentouMorales, cujo projeto de reforma constitucional está bloqueadopela autonomia alentada pela direita. A declaração de Morales seguiu um encontro em La Paz entreo embaixador norte-americano e o vice-presidente Alvaro Garcia,que foi concluído com uma declaração de respaldo ao diálogopela união da Bolívia. "Apoiamos a necessidade e a importância de começar anegociação sobre uma ampla gama de temas com a participação daOEA, grupos de países amigos, a Igreja Católica ou qualquerinstituição que seja aceitável para todas as partes", disseGoldberg a jornalistas. Foi a primeira vez, desde o início do conflito políticosobre a nova constituição e as autonomias, que o representantenorte-americano expressou "pleno respaldo a todas asautoridades eleitas democraticamente, assim como o Governo".

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