Morales defende 'revolução democrática e cultural' na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales,fez na terça-feira um balanço de seus dois primeiros anos demandato, salientando a "revolução democrática e cultural" quepromove, mas praticamente ignorando as disputas com provínciasautonomistas do país. Morales, primeiro presidente indígena na história daBolívia, disse ao Congresso no segundo aniversário da sua posseque ele cumpriu promessas importantes de campanha, aonacionalizar o setor energético e convocar uma AssembléiaConstituinte destinada a dar mais poderes à maioria indígena. Mas quatro dos nove Departamentos do país reagiram àreforma constitucional -- aprovada pela bancada governistadurante um boicote da oposição, em dezembro -- e declararamautonomia, entrando em atrito com o governo central. O presidente não falou diretamente do conflito, mas disseque as reformas são irreversíveis. "Não há volta no caminho que iniciamos há dois anos. Opassado não pode se repetir", disse Morales no discurso, quefoi televisionado. "Há espaço para todos nesta revolução. E sóse estivermos unidos podemos fazer as profundas mudanças que opovo deseja." Morales venceu a eleição de dezembro de 2005 com 54 porcento dos votos, melhor resultado de qualquer presidente desde1982, quando foi restaurada a democracia no país mais pobre daAmérica do Sul. Agitando as coloridíssimas bandeiras dos indígenas aimaráse tocando instrumentos de sopro, seguidores de Morales lotaramuma importante praça de La Paz para saudar o presidente em seutrajeto de meio quarteirão entre o Palácio Quemado, sede daPresidência, e o edifício do Congresso. Em várias horas de pronunciamento, Morales falou depraticamente tudo -- de alfabetização a helicópteros militarese a importância da criação das vicunhas em certas comunidadesdo Altiplano. Ele reiterou o compromisso do governo com uma "revoluçãoagrária", que tiraria terras improdutivas de grandeslatifundiários para distribuí-las a camponeses pobres. (Reportagem de Hilary Burke e Carlos Quiroga)

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