Morales descarta diálogo político na Bolívia antes de referendo

O presidente da Bolívia, Evo Morales,descartou na sexta-feira a possibilidade de iniciar um diálogopolítico com os governadores de oposição antes do referendorevogatório de seus mandatos no dia 10 de agosto. Os governadores de cinco dos nove departamentos bolivianosrejeitaram na segunda-feira o processo revogatório e pedirampara dialogar com Morales no dia primeiro de julho para debateras eleições nacionais e outras saídas para o conflito políticointerno. "Reuniões (com os governadores) para discutir a situaçãopolítica? Terão de esperar até o dia 10 de agosto", disseMorales em uma entrevista coletiva sobre o conflito entre seuplano de mudança da constituição para "refundar" a Bolívia demaneira indigenista e socialista, e os pedidos regionais porautonomia. O referendo irá consultar a população boliviana sobre osmandatos do atual presidente, do vice-presidente, ÁlvaroGarcia, e dos nove governadores, sendo eles seis de oposição,dois governistas e outro que será eleito no próximo domingo. Morales disse estar disposto a dialogar imediatamente comos governadores da oposição, mas insistiu que as bases para umacordo político devem surgir depois do referendo, queprovavelmente modificará o mapa político nacional. "As negociações sobre temas políticos estão suspensas, nósfomos muito tolerantes, pedimos reuniões e eles assuspenderam", disse Morales. "Agora (os governadores) têm a obrigação de se submeter àsnormas bolivianas e às leis aprovadas pelo Congresso Nacional.E isso no momento quer dizer que eles têm de esperar pelosreferendos." Os governadores que rejeitam se submeter à consulta popularsão os de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, quatro distritosque nos últimos dois meses conseguiram aprovar estatutos deautonomia não autorizados por Morales. A eles se somou o prefeito de Cochabamba, o ex-militar dedireita Manfred Reyes Villa, enquanto o sexto governador deoposição, José Luiz Paredes, de La Paz, ainda guarda silênciosobre a disputa entre a constituição e as autonomias. O grupo de oposição regional pode ser fortalecido nodomingo em uma eleição para o governo do departamento deChuqisaca. Morales disse que reconhecerá o ganhador das eleições emChuquisaca, insistindo que o conflito político nacional só seráresolvido a partir de agosto. O presidente, aliado do venezuelano Hugo Chávez e que estáperto de completar a metade de seu mandato de cinco anos, faloucom a imprensa antes de retomar uma interminável turnê devisitas às cidades e áreas rurais de todo o país em campanhapara o referendo de 10 de agosto. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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