Morales deve vencer referendo, mas impasses continuariam

O presidente boliviano, Evo Morales,deve sobreviver a um referendo de confirmação de mandato queocorre neste fim de semana, mas a crise política instalada nopaís mais pobre da América do Sul deve intensificar-se enquantoos adversários direitistas dele continuam tentando bloquearsuas reformas de cunho socialista. Morales e oito dos nove governadores de Departamento daBolívia vão se submeter à votação de domingo, que o presidenteconvocou em uma tentativa de minar os governadoresoposicionistas e tirar força dos movimentos pró-autonomia daregião leste do país. O dirigente, o primeiro de origem indígena a comandar ogoverno boliviano, espera que o referendo sirva para relançarreformas tais como os processos de nacionalização e deredistribuição de terras nesse país andino sem acesso ao mar. "Eu vou votar nele porque ele faz coisas boas para osagricultores pobres", afirmou Ignacia Cordero, uma plantadorade trigo e batata de El Alto, perto de La Paz, que vestia umchapéu de lã e a tradicional saia boliviana feita de váriascamadas e várias cores. "Ele dá dinheiro para os idosos e para as crianças",afirmou a mulher, 67, com o neto de 4 anos de idade amarrado asuas costas. "Ele não vai perder. Um monte de agricultores comoeu vai votar nele." Apesar de continuar a ser popular, Morales viu suasreformas dividirem cada vez mais profundamente o país, o que oobrigou a, por exemplo, suspender eventos de campanha devido auma onda de protestos nesta semana. O dirigente já nacionalizou empresas de energia, demineração e de telecomunicações além de estar distribuindo, naforma de repasses, parte do faturamento delas para as camadasmais baixas da população. Morales ainda tenta aprovar uma nova Constituição que darámais poder aos bolivianos de origem indígena, maioria no país,e que conta com grande apoio dos grupos étnicos aimará equechua. O apoio também é grande dentro e nas cercanias de LaPaz, onde o presidente representa o defensor de dois terços dos9 milhões de moradores do país, os dois terços mais pobres. O líder boliviano, 48, pode realmente ficar mais fortedepois do referendo, especialmente se alguns dos governadoresda oposição forem derrotados. Mas à votação podem se seguirmanifestações, e ele ainda terá de negociar com seusadversários. "A Bolívia encontra-se mergulhada em um impasse há mais deum ano e, independente do resultado do referendo de domingo, aBolívia continuará mergulhada em um impasse" disse Jim Schultz,diretor-executivo do grupo de pesquisa Centro da Democracia,com sede em Cochabamba. "É provável que vejamos o prosseguimento das batalhas entreo presidente e os governos regionais a respeito de algum tipode descentralização ou autonomia. A reforma agrária devecontinuar totalmente paralisada e haverá embates sobre comodividir o crescente bolo do faturamento obtido com o gásnatural e o petróleo." (Reportagem adicional de Rodrigo Martinez em Tarija, eEduardo Garcia em La Paz)

SIMON GARDNER, REUTERS

07 de agosto de 2008 | 13h38

Tudo o que sabemos sobre:
BOLIVIAREFERENDOPREVIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.