Morales diz que ainda há perigo de 'golpe eleitoral' na Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales,afirmou nesta terça-feira que ainda existe no país um risco de"golpe eleitoral" por parte de autoridades regionais deoposição que tentam impedir a realização de um referendorevogatório de mandato marcado para o dia 10 de agosto, e doqual Morales espera sair fortalecido. O líder boliviano, que vê no processo eleitoral uma formade romper o cerco da oposição em torno da "revolução"socialista que pretende implantar, deu o alerta ao encerrar, namadrugada, um congresso de cocaleiros no qual foi confirmadocomo dirigente da categoria em que iniciou sua carreirapolítica. No evento, Morales recebeu o apoio dos cocaleiros para arealização do referendo horas depois de o processo ter sidoratificado pela Corte Nacional Eleitoral (CNE), mediante umaresolução que derrubou a medida imposta pela Justiça na semanapassada, em meio a esforços para impedir a votação. O líder boliviano, que nas últimas semanas recebeu o apoiodos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Luiz Inácio Lulada Silva, disse que alguns dos governadores departamentaistentariam boicotar o processo. "O aviso dado (pelos cocaleiros) às cortes eleitorais dosDepartamentos é uma boa mensagem porque as cortes querem dar umgolpe contra a democracia", disse Morales. O presidente, que, segundo várias pesquisas, teria seumandato ratificado na votação, afirmou que o "golpe" contra aconsulta popular tinha por objetivo impedir a finalização de umprocesso complexo de reforma da Constituição e proteger osgovernadores da oposição. Quatro dos nove Departamentos bolivianos desafiaram ogoverno central no começo deste ano ao aprovarem, em referendosregionais, uma maior autonomia. O ministro boliviano da Presidência, Juan Ramón Quintana,admitiu na segunda-feira à noite que as cortes regionais,consideradas próximas dos governadores, podem erguer um "últimoobstáculo legal" contra o referendo. A CNE marcou para quarta-feira uma reunião com as corteseleitorais dos nove Departamentos. Segundo Morales, "parece que algumas cortes querem agorasubstituir a ditadura militar das décadas de 60 e 70. O nãocumprimento de uma lei nacional aprovada pelo Congresso (a leido referendo) significa um golpe contra a democracia, um golpecontra o povo."

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