Dado Galdieri/Associated Press
Dado Galdieri/Associated Press

Morales diz que América Latina não deve depender dos EUA

Presidente boliviano diz ser inaceitável permitir ações do Comando Sul dos EUA no continente

Associated Press,

16 de julho de 2009 | 15h22

O presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou nesta quinta-feira, 16, que os países da América Latina não devem depender das forças armadas do EUA e devem se distanciar da influência militar americana. A declaração de Morales foi feita na presença dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Fernando Lugo, do Paraguai, e Rafael Correa, do Equador, durante a comemoração de 200 anos do levante de La Paz contra a colonização espanhola.

 

O presidente boliviano, em seu discurso, aludiu ao Comando Sul dos Estados Unidos, unidade militar americana responsável pela América Latina. "Não é possível que neste milênio hajam grupos militares que dependam do Comando Sul dos EUA. Essa dependência de forças armadas da América Latina tem que terminar, conforme os presidentes conversaram", disse Morales, referindo-se à reunião que teve pela manhã com os mandatários visitantes.

 

Não houve documentos ou declarações oficiais sobre a reunião citada por Morales. De acordo com as citações do presidente boliviano, tratou-se de um encontro informal entre os chefes de Estado.

 

Mas em seu discurso pelo bicentenário da revolução de La Paz, Morales também insinuou uma suposta participação do Comando Sul dos EUA na deposição do presidente hondurenho Manuel Zelaya e assegurou que o golpe militar em Honduras "fracassará". Morales lamentou também o fato de os bispos católicos de Honduras apoiarem o golpe.

 

Sobre a participação dos EUA nas atividades militares dos outros países, disse que "qualquer um que aceitar manter uma base americana em seu país é um traidor de sua pátria".

 

O presidente boliviano argumentou que "as forças armadas têm que deixar de depender do Comando Sul, pois é obrigação dos presidentes trabalhar e debater com a forças armadas suas doutrinas próprias. De acordo com Morales, os militares bolivianos não irão mais trabalhar em conjunto com o Comando Sul, pois este "ensinava que os inimigos internos são as forças sociais, os indígenas."

 

Além dos presidentes da Venezuela, do Equador e do Paraguai, participaram das comemorações, nas quais apenas Morales falou, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, o vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, Jorge Luis Guerra, e Patricia Rodas, chanceler do governo deposto de Honduras.

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