Morales diz que conspiração contra ele continua

O presidente da Bolívia, Evo Morales,disse na terça-feira que a oposição não se mostra disposta a umacordo porque participa de uma conspiração para tirá-lo dopoder e impedir as reformas socialistas e pró-indígenasiniciadas há dois anos. Segundo Morales, apenas essa conspiração poderia explicar arecusa da oposição direitista a uma negociação que concilie afutura nova Constituição do país com as exigências autonomistasdos setores empresariais dos quatro Departamentos ricos doleste do país. "Não querem acordos políticos, só buscam a confrontação, eaí, como sempre, dizem para derrubar o índio [Morales], issotodo mundo sabe", disse o presidente numa entrevista coletiva. Na quarta-feira, o Congresso realiza uma nova tentativa dediálogo político, e dentro de uma semana os Departamentosamazônicos de Beni e Pando realizam referendos --deslegitimados por governo e Justiça -- sobre sua autonomia, aexemplo do que já fez Santa Cruz, o Departamento mais rico daBolívia. A aliança direitista Podemos, principal força da oposição,condicionou sua participação no diálogo nacional a compromissosconcretos de Morales sobre uma política tributária nacional quereconheça os estatutos de autonomia. "Os que impõem condições não querem o diálogo, não queremacordos para o bem da família boliviana", disse Morales. Para ele, o reconhecimento das autonomias e a distribuiçãode um imposto sobre o petróleo seriam temas centrais dodiálogo, mas o governo não poderia assumir compromissos antesde negociar. A autonomia regional não está prevista na atualConstituição, mas consta da nova Carta, aprovada no final deabril pela Assembléia Constituinte, onde o governo tem maioria.O texto constitucional ainda precisa ser submetido a referendonacional. Falando num evento em Cochabamba, Morales disse que a buscapor autonomia fora do âmbito da Assembléia Constituinte visa adividir o país e proteger interesses de latifundiários eempresários contrários a uma "revolução agrária". Ele denunciou também supostos incidentes racistaspromovidos no fim de semana por grupos oposicionistas contracamponeses em Sucre (sul). Uma agência das Nações Unidas dissena segunda-feira que as agressões contra os seguidores deMorales na cidade foram um ataque aos direitos humanos, com "ummatiz de discriminação racial".

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