Morales diz que nova Constituição ampliará autonomias

O presidente da Bolívia, Evo Morales, enfatizou na terça-feira que não negociará com a oposição a recém-aprovada Constituição socialista do país, e que é partidário da autonomia regional nos moldes estabelecidos na nova Carta, e não nos modelos que seus adversários tentaram instaurar no passado. As declarações de Morales parecem rejeitar os apelos de setores da oposição por um novo pacto político, depois do referendo de domingo que aprovou a Constituição "plurinacional" e socialista, que institui a reeleição presidencial após um único mandato, um modelo de autonomias regionais e uma reforma agrária. "Não haverá um pacto para rever (a nova Constituição), porque a vontade soberana do povo boliviano se respeita e é obrigação do governo fazê-la respeitar", disse Morales ao instalar uma reunião extraordinária com ministros, vice-ministros e outros funcionários, para planejar a mudança constitucional. A Constituição promovida por Morales recebeu o apoio de cerca de 60 por cento dos eleitores que foram às urnas, segundo resultados parciais divulgados por volta de 12h de terça-feira, com mais de 70 por cento das urnas apuradas. O ministro do Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, disse que a reunião governamental estava elaborando planos para a aplicação das autonomias e uma reforma eleitoral, com vistas às eleições previstas para dezembro, nas quais Morales buscará a reeleição. "A implementação vai exigir acordos complementares, isso é a democracia, mas não se pode pensar que a Constituição recém-aprovada poderia ser objeto de modificação em função de acordos políticos. Não, de nenhuma maneira", afirmou Romero, porta-voz oficial para questões constitucionais. "Após o referendo constitucional, as autonomias já não correspondem a algumas regiões, e sim são um tema nacional", acrescentou em resposta a líderes de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, departamentos nas planícies do norte e leste do país, a região mais desenvolvida, reduto da oposição de direita que busca autonomia em relação a La Paz. (Reportagem de Carlos Quiroga)

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