Morales é favorito em eleição presidencial da Bolívia--pesquisa

O presidente da Bolívia, Evo Morales, é o favorito para vencer a reeleição em dezembro, segundo uma pesquisa de intenção de voto divulgada na terça-feira.

REUTERS

27 de outubro de 2009 | 15h54

Morales, o primeiro presidente indígena do país andino, nacionalizou companhias de energia, de mineração e de telecomunicações no seu primeiro mandato e prometeu aumentar ainda mais o papel do governo na economia caso vença a eleição presidencial de 6 de dezembro.

Ele também prometeu investir em projetos sociais, incluindo estradas, usinas hidrelétricas, hospitais e escolas, e ampliar os direitos políticos dos povos indígenas.

De acordo com a pesquisa da Ipsos Apoyo, divulgada pelo jornal La Razon, cerca de 52 por cento dos eleitores apóiam Morales, enquanto seu concorrente mais próximo, Manfred Reyes, ex-governador da região central de Cochabamba, tem apoio de 21 por cento. O político conservador Samuel Doria Medina, rico empresário do setor de cimento, está bem atrás com 13 por cento das intenções de voto.

A fim de evitar o segundo turno, Morales precisa obter mais de 50 por cento dos votos ou mais de 45 por cento com uma liderança de 10 pontos sobre o segundo colocado. As eleições parlamentares também ocorrerão em 6 de dezembro.

Morales, um índio aymara que pastorava lhamas quando criança, precisa de uma sólida vitória para dominar o Congresso, o que permitiria a seu partido a aprovação de leis sem a interferência da oposição.

Há muito tempo ele reclama que os partidos de direita usam a maioria no Senado boliviano para bloquear dezenas de projetos de lei propostos pelo seu partido, o Movimento ao Socialismo.

Os críticos dizem que Morales, que expressa admiração por Fidel Castro, poderia usar a maioria no Congresso para conduzir o país a um regime socialista ao estilo cubano.

Uma pesquisa de opinião divulgada no mês passado pela Encuestas & Estudios Gallup mostrou Morales com 57,7 por cento das preferências.

Caso seja reeleito, Morales terá de lidar com receitas cada vez menores, em decorrência da reduzida demanda brasileira por gás natural, a principal receita do país. Ele também terá de combater um forte movimento pró-autonomia das regiões do leste, onde a sua política socialista é impopular.

Para a sondagem, a Ipsos Apoyo pesquisou mais de 2.200 pessoas nas nove regiões do país. A pesquisa tem margem de erro de 5 pontos percentuais, de acordo com o La Razon.

Com o forte apoio da população indígena, maioria na Bolívia, Morales obteve vitórias esmagadoras em um referendo revogatório em agosto do ano passado e em um referendo sobre a Constituição em janeiro.

(Reportagem de Eduardo Garcia)

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