Morales pede trégua política, mas oposição nega

O presidente da Bolívia, Evo Morales,pediu na terça-feira uma trégua política para as festas do fimdo ano e descartou a possibilidade de instalar um estado desítio para conter os protestos regionais contra a novaConstituição. Contudo, pela segunda vez em uma semana, importantesmembros da oposição rechaçaram o pedido por diálogo para tentarreduzir a tensão política envolvendo uma nova Constituiçãoboliviana. Em um tom conciliador que contrastou com a agressividadeverbal dos prefeitos (governadores) e políticos da oposição, opresidente afirmou que não há justificativa para a greve defome de protesto que acontece em Santa Cruz. "Seria importante que nossas autoridades, nossosdirigentes, considerassem minha proposta de paz para passar asfestas de Natal, e que não enganem, não mintam dizendo que vaihaver estado de sítio", declarou Morales a repórteres nopalácio do governo, em La Paz. Quase imediatamente, políticos de oposição, que nãoreconhecem a nova Constituição, recusaram a convocação,ratificando seu plano de "resistência" às mudançasimpulsionadas por Morales. O influente senador de direita Walter Guiteras disse que osgovernadores dos departamentos de Santa Cruz, Tarija,Cochabamba, Beni e Pando, "não acudirão a nenhum chamado dochefe de Estado". O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, qualificouo "convite" presidencial como "cinismo" e como "uma manobrapara brincar com a inteligência dos bolivianos". AUTONOMIA Na segunda-feira, cinco dos nove governadores do paísrejeitaram a Constituição aprovada preliminarmente no domingo epediram autonomia para quatro departamentos: Santa Cruz eTarija, produtores de petróleo, e Beni e Pando, na Amazônia.Morales quer que a autonomia seja estendida também àsprovíncias, regiões e povoados indígenas, como determina a novaConstituição. Segundo o presidente, a autonomia só para departamentosvisa a proteger latifúndios adquiridos de forma ilegal,principalmente em Santa Cruz. Os governadores rebeldesanunciaram que vão pôr os processos de autonomia em vigor porconta própria, sem passar pela Corte Eleitoral. "Novamente convoco as autoridades e os dirigentes eleitosde forma legal e legítima dos diversos departamentos atrabalhar juntos, com base na nova Constituição, na lei deautonomias", disse Morales. "A Bolívia não precisa de um estado de sítio, aqui não hánenhuma agitação; entendo essa preocupação e as greves de fome,mas greves de fome não precisam de estado de sítio, eu mesmoquantas vezes já fiz greve de fome", disse ele, que esclareceuque fez isso em seus tempos de dirigente cocaleiro "pedindodiálogo". "Agora aqui pedimos o diálogo, que é o mais importante paramim, e se há divergências temos instrumentos para definirmediante o voto do povo as contradições entre região e região,entre autoridade e autoridade." Morales aproveitou a publicação por um jornal local dodesenho de uma suposta futura moeda da "república de SantaCruz" para reforçar a denúncia de que as demandas por autonomiana verdade ocultam intenções de secessão.

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