Morales propõe diálogo para resolver tensão política na Bolívia

O presidente boliviano, Evo Morales, fez na quinta-feira um novo apelo ao diálogo com partidos e líderes regionais oposicionistas, para tentar resolver a tensão em torno da nova Constituição e da renda mínima para idosos.  Bolivianos fecham fronteira com Brasil em protesto contra EvoMorales, que não teve sucesso em tentativas anteriores de negociação, pediu aos líderes da Assembléia Constituinte que busquem o consenso entre todos os partidos sobre a nova Carta, aprovada preliminarmente no fim de semana pela bancada governista. "Esperamos que essas pessoas [da oposição] façam uma profunda reflexão para juntos apostarmos na Bolívia", afirmou ele a jornalistas no palácio presidencial, criticando o "duplo discurso" dos líderes regionais, "que falam de unidade e gritam independência, falam de democracia e chamam à desobediência". A oposição ainda não reagiu. Mas na quarta-feira, ao final de uma greve geral de um dia, os dirigentes das regiões oposicionistas afirmaram estar dispostos a dialogar caso Morales abandonasse suas "condutas ditatoriais". Os adversários do governo rejeitam --às vezes no Congresso, às vezes com greves regionais-- quase todos os planos políticos e econômicos do governo de Morales. O líder popular Waldo Albarracín também fez um "apelo urgente" ao diálogo nacional, enquanto a Igreja Católica convocou para um minuto de oração na sexta-feira pela paz e a unidade do país. Embaixadores europeus deixaram uma reunião com Morales oferecendo ajuda para resolver a crise no país. Morales disse que os governadores que aderiram à greve de quarta-feira, em cinco dos nove Departamentos, são os mesmos que recusaram a participar em outubro de um diálogo sobre a polêmica aposentadoria universal. A partir da próxima segunda-feira alguns dirigentes iniciam uma greve de fome contra a redução dos repasses às regiões -- verba que será usada no pagamento dos idosos, segundo a lei sancionada na quarta-feira por Morales. A oposição boliviana já anunciou o "desacato" à nova Constituição, que deve ser aprovada até o dia 14 pela Constituinte para em seguida ser submetida a referendo.

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