Morales propõe pacto e governadores negam querer divisão

Foi o primeiro encontro entre as partes após vários meses de confronto em torno da nova Constituição

Efe

08 de janeiro de 2008 | 01h40

O presidente da Bolívia, Evo Morales, propôs neste terça um grande pacto nacional que resolva a crise política do país, numa oferta aos nove governadores regionais, que garantiram que não promovem a divisão do território nem conspiram contra o Governo central. Morales ofereceu aos governadores um "acordo nacional" para continuar "dignificando" o país. Foi o primeiro encontro entre as partes após vários meses de confronto em torno da nova Constituição, da reivindicação de autonomia de quatro departamentos e do corte dos orçamentos regionais. Rubén Costas, governador da rica região de Santa Cruz e líder oposicionista, afirmou que a "união nacional" não está em discussão. Foi a sua resposta às acusações de Morales de que ele e seus colegas de Beni, Pando e Tarija querem dividir o país com seus projetos de autonomia. Oito governadores mantiveram o tom de conciliação de Morales, buscando acordos. Mas o de La Paz, José Luis Paredes, usou seu discurso para lançar duras críticas contra o presidente. Morales não entrou em detalhes sobre a sua proposta de pacto. Horas antes, o seu porta-voz, Alex Contreras, havia anunciado que o presidente revelaria uma proposta concreta durante a reunião de hoje em La Paz. O objetivo era iniciar uma nova relação com os governadores, seis deles de oposição, além dos empresários e das autoridades municipais. O presidente se limitou a comentar que seu desejo é chegar a um acordo "para erradicar o racismo" no país. "Por que não podemos nos entender?", perguntou. Para ele, é preciso resolver a parte política porque a economia "vai bem". Morales dedicou a maior parte de seu discurso a mostrar as conquistas econômicas obtidas durante seus quase dois anos de Governo. "Se há uma etapa de bonança econômica, por que tirar recursos das regiões?", replicou Costas, criticando o corte nos orçamentos departamentais aprovado pelo Governo para pagar uma ajuda vitalícia aos idosos. Na reunião, o governador também pediu que o presidente explique "que pacto" quer construir. Ele afirmou ainda que os "militares não precisam amedrontar ninguém" porque a união nacional "não se discute". "Quem quiser voltar a épocas de golpismo deve ser processado e preso", disse Costas, garantindo que os governadores não promovem nenhum complô contra Morales. O governador de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, enfatizou que as soluções devem ser "políticas" e destacou que o encontro começou com "a melhor vontade". Paredes lançou uma saraivada de críticas e queixas a Morales, que acusou de "abandonar" o desenvolvimento de La Paz. Ele disse que quis participar da reunião para "dizer as coisas de frente" e denunciou uma "submissão absoluta" do Governo à Venezuela. O governador também acusou Morales de mentir sobre o crescimento do país e a inflação, e de descumprir sua promessa de começar a prospecção de petróleo no norte de La Paz. Além disso, afirmou que o presidente fomenta o racismo com seus discursos, que tem uma atitude "personalista" e que seu partido "prejudica a democracia" com suas posturas "autoritárias" na Assembléia Constituinte e no Congresso. Após mais de duas horas de debate, o governador de Pando, Leopoldo Fernández, pediu o estabelecimento de regras de jogo para outras possíveis conversas. "O povo tem muitas expectativas e não temos direito de decepcioná-lo", disse. As duas partes concordaram em fixar uma metodologia de trabalho, que não detalharam, para debater os temas mais conflituosos: o corte dos orçamentos regionais, o projeto constitucional que ainda deve ser submetido a referendo e a autonomia. A reunião no Palácio do Governo de La Paz foi cercada por um forte esquema policial. Mas não houve incidentes.

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