Morales rejeita estado de sítio antes de referendo

O presidente da Bolívia, Evo Morales,descartou na segunda-feira a decretação de estado de sítio paraimpedir o referendo de autonomia no departamento (Estado) deSanta Cruz. Atenuando o tom dos discursos do fim de semana, Moralesdisse torcer por "soluções pacíficas" no diálogo promovido pelaIgreja entre o governo e a oposição. O governador de Santa Cruz (leste), Rubén Costas, convocoupara 4 de maio um referendo sobre a autonomia da região, o querepresenta um desafio ao governo e uma negação do processoconstituinte promovido por Morales. "Vi informações no sentido de que o governo pensa em imporum estado de sítio e militarizar Santa Cruz para impedir oreferendo, mas isso nunca me passou pela cabeça", disse Moralesa jornalistas. "Qualquer solução para temas políticos e temas econômicospassará, sobretudo, pelo diálogo", acrescentou ele, horas antesde uma reunião de prelados católicos com cinco governadoresoposicionistas (sendo quatro "autonomistas") em Cochabamba. Na semana passada, os bispos passaram várias horas reunidoscom Morales. Os chanceleres do Brasil e da Argentina, ovice-chanceler da Colômbia e uma missão da Organização dosEstados Americanos também visitaram o governo e a oposição paratentar melhorar o clima político na Bolívia. Segundo a imprensa local, os representantes da Argentina edo Brasil manifestaram grande preocupação com a possívelinstabilidade no país, importante fornecedor de gás natural. O governador Costas confirmou sua presença na reunião comos bispos, mas também reiterou a convocação do referendo. Ogoverno, o Congresso e a Corte Eleitoral rejeitam essa votação,sob o argumento de que foi convocada por uma autoridade semcapacidade para fazê-lo. No fim de semana, em discurso a camponeses, Moralesconclamou os bolivianos a "defender a mudança e frear oreferendo divisionista". Na segunda-feira, num aparente recuo, ele disse: "Esperamosque esta reunião [dos governadores com os bispos] possa darpassos importantes para um diálogo que lhe permita defender aunidade do país, e que as transformações profundas e asmudanças estruturais se realizem no marco da legalidade." Em declarações anteriores, Morales disse que estariadisposto a renegociar o projeto de nova Constituição, aprovadoem dezembro por uma assembléia dominada por governistas. Emtroca, a oposição deveria adiar os referendos de autonomia. Morales também ofereceu reformas no financiamento da rendauniversal para idosos, questionada por usar parte dosdividendos do gás. Até agora, a despeito das ofertas, osgovernadores mantêm a campanha pela autonomia. (Reportagem de Carlos Alberto Quiroga)

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